10 de mar. de 2011

As famosas expressões populares

Uma expressão idiomática ou expressão popular, na Língua Portuguesa,é aquela que se caracteriza por não ser possível identificar seu significado através de suas palavras individuais ou de seu sentido literal. Desta forma, também não é possível traduzi-la para outra língua de modo literal. Essas expressões geralmente se originam de gírias, cultura e peculiaridades de diversos grupos de pessoas: seja pela região, profissão ou outro tipo de afinidade.

As  expressões idiomáticas existem em todas as línguas e variam de país para país, região para região, cultura para cultura, entre outras variações de tempo e espaço.

Na expressão “rabo de saia”, a palavra “rabo” vem do latim rapum e designa a cauda de animais selvagens ou domésticos, mas também é aplicado a peixes e aves como a parte essencial do corpo dos primeiros para nadar e as aves para voar, pois lhe serve de leme.
Daí surgiu expressões nascidas do “rabo”. “De cabo a rabo” (do começo ao fim), “crescer como rabo de cavalo” (regredir), “Olhar com o rabo do olho” (olhar de esguelha), “pegar rabo de foguete” (assumir compromisso difícil de cumprir), “encher o rabo” (comer muito), “meter o rabo entre as pernas” (medo diante de ameaça).

O Professor da USP Hudinilson Urbano em sua pesquisa encontrou outros exemplos de expressões populares muito usadas por nós:

Traidor de Jesus, o apóstolo Judas nunca foi perdoado pela Igreja Católica nem pela nossa língua portuguesa. Todas as expressões que o citam emitem idéias negativas. É o que acontece com “Onde Judas perdeu as botas”, que indica um lugar de difícil acesso, longínquo. O professor lembra também que há uma variação registrada, e pode ser usada na mesma situação, que é “onde o diabo perdeu as botas”. Juntam-se a essa expressão outras tantas com o mesmo significado e como mesmo bode expiatório: “no calcanhar- do- Judas”, “cu- de- Judas”, “cafundó- do- Judas”.

Outra expressão muito divertida e usada é “há algo podre no reino da Dinamarca”. A frase é a tradução de trecho da tragédia Hamlet, Príncipe da Dinamarca, de Shakespeare, proferida pelo personagem Marcellus, um dos oficiais dinamarqueses, no 1º ato: “Something is rotten in the state of Denmark”. A frase, sendo do universal Shakespeare, também, ganhou uso universal. Outros ditados acompanham esse sentido, como “Tem boi na linha”, “Tem gato na tuba”, ou outras menos populares como “Debaixo desse angu tem torresmo ou caroço” e “Aqui tem dente de coelho”.

“A ver navios", expressão antiga, em vigor ainda hoje. Essa expressão deriva da atitude contemplativa de populares, que se instalavam nos lugares mais altos de sua cidade à espera de que uma lenda se tornasse realidade. Daí muitos usam para dizer, ficar sem nada ou sem coisa alguma.

Muito usada para situações que envolvem nossos políticos, especialmente em casos de corrupção quando ninguém é punido, “acabar em pizza” é uma expressão muito ouvida e discutida na mídia.

Muitas outras conhecidas e utilizadas: “agarrar com unhas e dentes”, “ao pé da letra”, “amigo da onça”, “ao deus dará”, “babar ovo”, “procurar sarna para se coçar”, “barata tonta”, “bater papo”, “bola pra frente”, “cara de pau”, “enfiar o pé na jaca”, “estar no bico do corvo”, “pensar na morte da bezerra”, “trocar seis por meia dúzia”, “sem pé e nem cabeça”, “segurar vela” e tantas outras que fazem parte do nosso dia-a-dia.

Memórias da Emília, de Monteiro Lobato



(...) A vida Senhor Visconde, é um pisca - pisca. A gente nasce, isto é, começa a piscar. Quem para de piscar, chegou ao fim, morreu. Piscar é abrir e fechar os olhos - viver é isso. É um dorme-e-acorda, dorme-e-acorda, até que dorme e não acorda mais. É portanto um pisca-pisca.

O Visconde ficou novamente pensativo, de olhos para o teto.

Emília riu-se.

Está vendo como é filosófica a minha ideia? (...) A vida das gentes neste mundo, senhor sabugo, é isso. Um rosário de piscadas. Cada pisco é um dia. Pisca e mama; pisca e anda; pisca e brinca; pisca e estuda; pisca e ama; pisca e cria filhos; pisca e geme os reumatismos; por fim, pisca pela última vez e morre.

- E depois que morre? - perguntou o Visconde.

- Depois que morre, vira hipótese. É ou não é?

Fonte:

Excerto de Memórias da Emília, de Monteiro Lobato

Mapa- mundi IBGE

Recentemente o IBGE lançou um mapa-mundi digital, com síntese, histórico, indicadores sociais, economia, redes, meio ambiente, entre outras curiosidades.

Vale a pena conferir!

http://www.ibge.gov.br/paisesat/main.php 

4 de mar. de 2011

Presidente ou Presidenta?

  
SUA EXCELÊNCIA, A SENHORA PRESIDENTA DILMA


Agora, o Diário Oficial da União adotou o vocábulo presidenta nos atos e despachos iniciais de Dilma Rousseff.
As feministas do governo gostam de presidenta e as conservadoras (maioria) preferem presidente, já adotado por jornais, revistas e emissoras de rádio e televisão.

* * *
Na verdade, a ordem partiu diretamente de Dilma: ela quer ser chamada de Presidenta. E ponto final.
Por oportuno, vou dar conhecimento a vocês de um texto sobre este assunto e que foi enviado pelo leitor Hélio Fontes, de Santa Catarina, intitulado Olha a “Vernácula” !
Vejam:
"No português existem os particípios ativos como derivativos verbais.
Por exemplo: o particípio ativo do verbo atacar é atacante, de pedir é pedinte, o de cantar é cantante, o de existir é existente, o de mendicar é mendicante…
Qual é o particípio ativo do verbo ser? O particípio ativo do verbo ser é ente. Aquele que é: o ente. Aquele que tem entidade.
Assim, quando queremos designar alguém com capacidade para exercer a ação que expressa um verbo, há que se adicionar à raiz verbal os sufixos ante, ente ou inte. Portanto, à pessoa que preside é PRESIDENTE, e não “presidenta”, independentemente do sexo que tenha. Se diz capela ardente, e não capela “ardenta”; se diz estudante, e não “estudanta”; se diz adolescente, e não “adolescenta”; se diz paciente, e não “pacienta”."
Um bom exemplo seria:

“A candidata a presidenta se comporta como uma adolescenta pouco pacienta que imagina ter virado eleganta para tentar ser nomeada representanta. Esperamos vê-la algum dia sorridenta numa capela ardenta, pois esta dirigenta política, dentre tantas outras suas atitudes barbarizentas, não tem o direito de violentar o pobre português, só para ficar contenta.”


Fonte:
Recebido por e-mail.


Caros alunos,

Não se enganem, o PT quis reinventar nossa língua materna. 
Assim: "todos e todas", "afrodescendentes" e muitos outros termos usados em  seus discursos e assembleias.  E temos que engolir "presidenta"?

1 de mar. de 2011

3 mil livros para download no site da USP

A USP lançou um site que disponibiliza 3.000 livros para download. Ao entrar no http://www.brasiliana.usp.br/ o internauta encontra livros raros, documentos históricos, manuscritos e imagens que são parte do acervo da Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin, doada à universidade.

Há planos de aumentar o catálogo para 25 mil títulos e incluir primeiras edições de Machado de Assis e de Hans Staden.


Fonte:

http://www.brasiliana.usp.br/

Unesco diz que conflitos no mundo deixam 28 milhões de crianças fora da escola

Vinte e oito milhões de crianças estão fora da escola por causa de conflitos armados em todo o mundo. A conclusão é do relatório “Education For All Global Monitoring Report 2011”, divulgado pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) nesta terça-feira (1º), nos Estados Unidos.
O total representa 42% de todas as crianças em idade escolar fora do ensino primário no planeta. De acordo com a Unesco, 35 países foram afetados por conflitos armados entre 1999 e 2008.
Nos países pobres em conflito, duas em cada dez pessoas são analfabetas. Nos que estão em paz, 93% são alfabetizados.
Na maioria das áreas com problemas de violência, mais de 60% da população têm menos de 25 anos. No entanto, diz a Unesco, os sistemas de educação não conseguem formar os jovens –o que dificulta a saída deles de situações que podem gerar conflito, como desemprego e questões econômicas.

Além disso, segundo o órgão, crianças, escolas e professores estão virando alvos deliberados nos conflitos. No Afeganistão, por exemplo, pelo menos 613 ataques a instituições de ensino foram registrados em 2009, contra 347 no ano anterior.

Investimentos militares


A Unesco aponta também que, se os países ricos deixassem de gastar seis dias do orçamento militar –economizando cerca de US$ 16 bilhões–, o déficit educacional no mundo seria eliminado. E, se houvesse um corte de 10% nos gastos militares de 21 países em desenvolvimento, poderiam ser incluídas mais 9,5 milhões de crianças na educação primária.

O Paquistão, por exemplo, gasta sete vezes mais com equipamentos militares do que com escolas. Se houvesse o corte sugerido pela Unesco, 3,6 milhões de estudantes poderiam ir às salas de aula. Caso Bangladesh fizesse o mesmo, poderia incluir 1 milhão; o Iêmen, 840 mil.


Fonte:
UOL Educação

O que anda lendo ultimamente?


Da mesma forma que a música de Beethoven é capaz de oferecer ao ouvinte um pouco mais da personalidade arredia do gênio, com a literatura, também passamos a frequentar a cabeça dos escritores, descobrindo o que se passa ali dentro, quer eles queiram ou não. Se qualquer que seja a vida ela já vale a pena, imagine andar pelo mundo, conhecendo-o e conhecendo-se, tendo ao seu lado gente como Jack Kerouac, Eça de Queirós, Erico Verissimo, William Shakespeare, Cervantes, Dante, Chaucer, Dostoiévski ou os goliardos da Idade Média. A literatura é uma dama de muitos séculos que, como uma jovem vampira, está sempre cinematograficamente jovial, adolescendo com uma consciência de espírito que atravessa os séculos, à disposição de qualquer um que goste de ler e que saiba responder à pergunta de Drummond: “trouxeste a chave?”. Se pegarmos de volta o título deste texto, como um laço ou como a língua de um camaleão que se serve – vupt! - de sua comidinha, diga, por favor, o que você anda lendo ultimamente?

Adolescente, fiz parte do Círculo do Livro, que hoje não existe mais, infelizmente. Desde os treze anos me aventurava pela Coleção Vaga-Lume e gostava de Stephen King, Edgar Allan Poe e literatura fantástica. Mas foi um pouco mais tarde, aos vinte e dois, que algo aconteceu: por dias a fio, aguardei pela chegada do “Pequeno guia da literatura universal”, de Luiz Carlos Lisboa, cujo subtítulo é “através de quase duzentos livros que ninguém mais pode ignorar impunemente”. Uau! Me senti como o personagem de Leonardo Di Caprio quando chega à exuberante paisagem principal de “A praia”, filme que nasceu de um romance da literatura inglesa contemporânea, The beach, de Alex Garland. O livro de Lisboa faz parte de minha vida desde então e hoje, aos trinta e sete, encontro nele a mesma alegria que tinha quando moleque, as franjas balançavam estrada afora, como uma cortina de contas de vidro de uma república estudantil sempre em festa.

O ”Pequeno guia da literatura universal” é uma viagem literária, asseguram os editores, “pelo universo da fantasia, da inteligência e da beleza”. Sem dúvida. Dentre as obras selecionadas pelo autor, há romances, contos, peças de teatro, livros de poemas, além de ensaios, memórias, crítica e história. Com um guia como esse em mãos, o que você quer ler? Um romance? Que tal “Martin Eden”, de Jack London, “A metamorfose”, de Kafka, “O homem que foi Quinta-feira”, de Chesterton, ou “Fogo morto”, de José Lins do Rego? Eles estão enfeixados entre Camus, Hemingway, Cortázar e outros. Teatro? Shakespeare, Sófocles, Tchekhov, Brecht ou Nelson Rodrigues? Prefere poesia? Antiga ou moderna? Comece por Homero, Ovídio, passe por Bashô, Blake, Whitman, Bandeira e conheça o vasto mundo de Drummond - não se esqueça da chave. Se quiser, comece por Drummond e, de volta para o passado, chegue ao vasto mundo de Homero. O que mais? Leia o “Antigo Testamento”, “A República”, de Platão, “O Livro tibetano dos mortos”, “A Vida dos doze césares”, de Suetônio, a “Autobiografia”, de Benjamin Franklin, Nietzsche, Huxley, Nabuco e até mesmo Wilson Martins, autor do monumental trabalho - de dedicação e pesquisa - que é a “História da inteligência brasileira”.

Por que ler um guia como o de Lisboa? Porque muitos candidatos a leitores, ansiosos por adentrar o mundo da literatura, não sabem o que ler ou por onde começar. Isso acontece mesmo com aqueles que estão à iminência dos primeiros fios brancos na cabeça, algo que diz muito a respeito de um país que nunca foi um exemplo em se tratando de hábito de leitura e que a cada dia que passa tem menos apreciadores dos livros. Uma pena. Imagine o guia de Luiz Carlos Lisboa nas mãos de quem ainda está adolescendo? É o seu caso? Vamos torcer que sim. Nessa idade é mais fácil criar um laço de convivência entre leitor e livro. É como se, ao saber que seu corpo não precisa de tanto açúcar assim, e sim de mais exercícios, você percebesse que a literatura fará por seu cérebro o que abdominais farão por suas gordurinhas localizadas. Então, o que está esperando? Ao trabalho! Mas, antes, que tal desligar a TV (por favor) e afastar sua mente dos ruídos cotidianos do seu dia? Preste atenção: a leitura não deve ser vista como uma obrigação. Se ao ler você já não mexe seus lábios e nem a cabeça, parabéns, pois o caminho é esse mesmo. Ler requer paciência, algo que é bom ter vida afora. Então, já pensando que talvez sua paciência e concentração estejam prestes a sair por aí, por favor, aproxime-se.

Já pensou a respeito da transitoriedade de seu dia? Já ficou imaginando coisas, como, por exemplo, ser o único a prestar atenção em uma pedrinha triste e solitária, esquecida no jardim de sua casa? Não? Tudo bem. Não era nada disso mesmo. O que precisa saber é: há livros que você deveria ler, enquanto ainda é adolescente, pois eles vão crescer com você. “É como plantar uma árvore na juventude”, disse certa vez o crítico Lionel Trilling, “cada ano acrescenta um novo nó de crescimento no significado e o livro é um pouco como a árvore que vai amadurecendo”. É uma bela metáfora e seria bom que ela fizesse parte da sua vida. Por isso, mais uma vez, o que anda lendo?

E mais: será que anda lendo corretamente? Há algumas atitudes que, zás-trás, farão bem a você. Por exemplo: não há nenhum problema em se ler um livro deitado na cama ou no sofá, não é? Se estiver cansado, depois de ter trabalhado o dia todo, estudado à noite, e mesmo assim você ainda encontra tempo para um livrinho, protelando o sono merecido, parabéns. Sinceros. Nesse caso, por que não se senta, toma um cappuccino e, com uma luz apropriada sobre o livro, ouve sua banda predileta nos fones do mp3 e se debruça sobre a literatura? Vale a pena? Claro!

Em 1973, antes de escrever o “Pequeno guia da literatura universal”, Luiz Carlos Lisboa publicou “Tudo o que você precisa ler sem ser um rato de biblioteca”. Subtítulo? “Roteiro completo dos livros básicos para a sua vida”. São duas obras que versam a respeito do mesmo tema: livros, grandes livros. Como o autor chegou até eles? Quais foram seus critérios de escolha? “Eventuais sugestões de acréscimos, subtrações, fatais em trabalhos deste gênero, poderão compor outro livro, de um outro autor”, diz Lisboa, “não este, resultado de preferências confessadamente pessoais, limitado e omisso, talvez, mas em todo caso animado da esperança de ser útil”.

A utilidade é um bom critério de escolha, não é? Lisboa chegou a essa lista porque ele é um leitor voraz, um rato de biblioteca, como sugere o título de seu livro. Por que não confiar em alguém como ele? O único problema em relação a esses dois guias é que estão fora de catálogo, mas os sebos estão on-line, esperando por você, para o que der e vier. De qualquer forma, o autor não parou por aí e, em 2001, publicou mais dois guias, ambos com o mesmo título de seu primeiro estudo, “Tudo que você precisa ler sem ser um rato de biblioteca”, mas divididos em dois tomos: “guia do melhor da literatura brasileira” e “guia do melhor da literatura internacional”. O estômago roncou? Sim, são obras para abrir o apetite do leitor para o que virá em seguida. O menu? Pratos como: “Quincas Borba”, “Presença de Anita”, ” A menina morta”, “Grande sertão: veredas”, “O encontro marcado”, “As mil e uma noites”, “Dom Quixote”, “Robinson Crusoé”, “Orgulho e preconceito”, “O som e a fúria”, “Viagem ao fim da noite”, “O senhor dos anéis”, “Rei Lear” e outros textos, alguns curiosos, como “O ursinho Puff”, de A. A. Milne.

Outros autores, claro, preocuparam-se em abrir caminho para novos leitores. É o caso do prestigiado Harold Bloom, um vovô norte-americano dono de sobrancelhas horripilantes, autor de “Como e por que ler”, obra que, curiosamente, é lembrada por Lisboa em sua mais recente lista com o melhor da literatura estrangeira. Bloom é um leitor acima de tudo e, na altura de seus quase 80 anos, vem publicando livros que sacodem os estudos literários, como ocorreu com “O cânone ocidental” (1995) e, na virada do século, com “Shakespeare – a invenção do humano” (2000).

Em “Como e por que ler”, Bloom debruça-se sobre textos que não devem permanecer edulcorando a estante e, sim, vivos na imaginação dos leitores. Citando Virginia Woolf, ele estabelece seu objetivo: “não devemos desperdiçar nossas forças, lendo de modo errático e desavisado”, sugere a Clarice Lispector inglesa, e Bloom complementa: “portanto, enquanto não amadurecermos como leitores, algum aconselhamento sobre leitura pode ser-nos útil, talvez, até mesmo essencial”. Mais uma vez a utilidade. Tsc, tsc. Já passou da hora de lembrar que literatura não é utilidade em si, como discutem muitos autores por aí; literatura é antes um prazer irremediável dentre aqueles que gostam de ler ou, como diz Bloom, um “sofrido prazer”, ou seja, algo que “articule uma plausível definição do Sublime”. E o que isso significa? Ele explica: “existe o Sublime alcançado através da leitura, ao que parece, a única transcendência secular que é possível, senão por aquela transcendência ainda mais precária que denominamos ‘amor, paixão’”. Em outras palavras: “leia plenamente, não para acreditar, nem para concordar, tampouco para refutar, mas para buscar empatia com a natureza que escreve e lê”, ele diz. Bacana, não é?

Bloom divide seu livro em contos, poemas, romances e somente três peças: “Hamlet”, “Hedda Gabler” e “A importância de ser prudente”. Bloom é mais austero que Lisboa, mas sua lista não contém só autores clássicos; mais do que Shakespeare e Milton, há muitos escritores rebeldes, por assim dizer, cuja verve mira a juventude e suas linhas tortas, como Coleridge, Tennyson, Blake, Hemingway, e, como não poderia deixar de ser, textos em cujo horizonte de leitura encontra-se o leitor juvenil, como são os casos de “O Horla”, de Maupassant, “A canção de mim mesmo”, de Whitman e “Moby Dick”, de Melville. Aqui, a despeito de toda violência e barbárie, ainda há lugar para “Meridiano de sangue”, de Cormac McCarthy, autor de “Onde os fracos não têm vez”, cuja adaptação para o cinema foi muito bem conduzida pelos irmãos Coen. Como você pode imaginar, “Como e por que ler” já é um clássico instantâneo de nosso tempo e é um livro que fala de outros livros.

Vamos deixar a não-ficção de Bloom e partir para a ficção de Dai Sijie, que escreveu “Balzac e a costureirinha chinesa”, romance que cabe neste texto por dois motivos: além de ser uma narrativa que fala de livros que devem ser lidos na juventude, também traz uma história admirável, amarga e bela. Durante a Revolução Cultural chinesa, opressão e intolerância andam de mãos dadas e quem paga por isso são estudantes, professores, intelectuais e rebeldes de toda espécie, do mais simples operário ao camponês mais arredio. Dois rapazes vão parar numa aldeia e passam por uma espécie de reeducação. São escravizados e sofrem todo tipo de humilhação. Suas vidas resumem-se a um universo em preto & branco e eles não têm nenhuma razão especial para viver. Tudo muda quando descobrem uma valise cheia de romances ocidentais proibidos pelo regime do presidente Mao. Estão lá Balzac, Dumas, Flaubert, Baudelaire, Tolstói e outros autores que dão cor à vida dos dois estudantes e da costureirinha do título, que além de ser uma camponesa humilde e viçosa, é também o secreto objeto de desejo dos dois.

Aos poucos, com os livros, ambos começam a abrir a cabeça da costureirinha, mas não literalmente, claro, transformando-a. O mundo dela começa a mudar por causa de romances como “O conde de Monte Cristo”, de Dumas, “O pai Goriot”, de Balzac, “Jean-Christophe”, de Romain Rolland. “Até aquele encontro roubado com Jean-Christophe”, diz o narrador, amigo de Luo, “minha pobre cabeça educada e reeducada, simplesmente ignorava que se pudesse lutar sozinho contra o mundo inteiro”. Para cada um deles, esses romances flamejantes oferecem o mesmo sentido do Sublime ressaltado por Harold Bloom alguns parágrafos atrás. Por esse motivo, pela descoberta de que a vida não é só comida e peleja, o final do romance é surpreendente e, lendo-o, você há de concordar, não poderia ser outro o destino da costureirinha.

Estamos chegando ao fim, mas, antes, não poderia deixar de mencionar dois títulos que, em busca de formar leitores, merecem sua atenção. Em “Como e por que ler os clássicos universais desde cedo”, Ana Maria Machado, tomando como base sua própria convivência com os livros, ressalta a importância de crescer com textos que, como uma bagagem cultural imprescindível, serão levados vida afora pelo leitor. “Prefiro chamar a atenção para o fato de que esses diferentes livros foram lidos cedo, na infância ou adolescência”, diz a autora, “e passaram a fazer parte indissociável da bagagem cultural e afetiva que seu leitor incorporou pela vida afora, ajudando-o a ser quem foi”.


Já “Mistérios da literatura”, de Daniel Piza, que recorre à biografia do autor para discorrer sobre Poe, Machado, Conrad e Kafka, é outro singular esforço ao encontro da formação de leitores. Minha edição de “Mistérios da literatura” foi autografada pelo autor e gostei muito do que ele escreveu. Serviria a você, leitora e leitor, se estivessem no meu lugar: “Para Renato, este livro que eu queria que tivesse mais leitores como você”. Desconfio de que Piza escreva essa dedicatória a todos os leitores de seu livro, mas se chegou até aqui, até o final deste texto, talvez você perceba que essa dedicatória sugere o sentido de tudo que está em jogo aqui. A literatura é uma dama e, como tal, deve ser cortejada por todos que a querem bem.

Renato Alessandro dos Santos, 37, é professor. Ele edita o site tertuliaonline.com.br .


PARA SABER MAIS

Pequeno guia da literatura universal
Luiz Carlos Lisboa

Como e por que ler
Harold Bloom

Balzac e a costureirinha chinesa
Dai Sijie

Como e por que ler os clássicos universais desde cedo
Ana Maria Machado

Mistérios da Literatura
Daniel Piza

22 de fev. de 2011

O mito de Sísifo


Os deuses tinham condenado Sísifo a empurrar sem descanso um rochedo até ao cume de uma montanha, de onde a pedra caía de novo, em consequência do seu peso. Tinham pensado, com alguma razão, que não há castigo mais terrível do que o trabalho inútil e sem esperança.

A acreditar em Homero, Sísifo era o mais ajuizado e mais prudente dos mortais. No entanto, segundo outra tradição, tinha tendências para a profissão de bandido. Não vejo nisto a menor contradição. As opiniões diferem sobre os motivos que lhe valeram ser trabalhador inútil dos infernos. Censura-se-lhe, de início, certa leviandade para com os deuses. Revelou os segredos deles. Egina, filha de Asopo, foi raptada por Júpiter. O pai espantou-se com esse desaparecimento e queixou-se dele a Sísifo. Este, que estava ao corrente do rapto, propôs a Asopo contar-lhe o que sabia, com a condição de ele dar água à cidadela de Corinto. Aos raios celestes, preferiu a bênção da água. Por tal foi castigado nos infernos. Homero conta-nos também que Sísifo havia acorrentado a Morte. Plutão não pôde suportar o espetáculo do seu império deserto e silencioso. Enviou os deuses da guerra, que soltou a Morte das mãos do seu vencedor.

Diz-se ainda que, estando Sísifo quase a morrer, quis, imprudentemente, pôr à prova o amor de sua mulher. Ordenou-lhe que lançasse o seu corpo, sem sepultura, para o meio da praça pública. Sísifo encontrou-se nos infernos. E aí, irritado com uma obediência tão contrária ao amor humano, obteve de Plutão licença para voltar à terra e castigar a mulher. Mas, quando viu de novo o rosto deste mundo, sentiu inebriadamente a água e o sol, as pedras quentes e o mar, não quis regressar à sombra infernal. Os chamamentos, as cóleras e os avisos de nada serviram. Ainda viveu muitos anos diante da curva do golfo, do mar resplandecente e dos sorrisos da terra. Mercúrio veio pegar no audacioso pela gola e, roubando-o às alegrias, levou-o à força para os infernos, onde o seu rochedo já estava pronto.

Já todos compreenderam que Sísifo é o herói absurdo. É-o tanto pelas suas paixões como pelo seu tormento. O seu desprezo pelos deuses, o seu ódio à morte e a sua paixão pela vida valeram-lhe esse suplício indizível em que o seu ser se emprega em nada terminar. É o preço que é necessário pagar pelas paixões desta terra. Não nos dizem nada sobre Sísifo nos infernos. Os mitos são feitos para que a imaginação os anime. Neste, vê-se simplesmente todo o esforço de um corpo tenso, que se esforça por erguer a enorme pedra, rolá-la e ajudá-la a levar a cabo uma subida cem vezes recomeçada; vê-se o rosto crispado, a face colada à pedra, o socorro de um ombro que recebe o choque dessa massa coberta de barro, de um pé que a escora, os braços que de novo empurram, a segurança bem humana de duas mãos cheias de terra. No termo desse longo esforço, medido pelo espaço sem céu e pelo tempo sem profundidade, a finalidade está atiginda. Sísifo vê então a pedra resvalar em poucos instantes para esse mundo inferior de onde será preciso trazê-la de novo para os cimos. E desce outra vez à planície.

É durante este regresso, esta pausa, que Sísifo me interessa. Um rosto que sofre tão perto das pedras já é, ele próprio, pedra! Vejo esse homem descer outra vez, com um andar pesado mais igual, para o tormento cujo fim nunca conhecerá. Essa hora que é como uma respiração e que regressa com tanta certeza como a sua desgraça, essa hora é a da consciência. Em cada um desses instantes em que ele abandona os cumes e se enterra a pouco e pouco nos covis dos deuses, Sísifo é superior ao seu destino. É mais forte do que o seu rochedo.

Se este mito é trágico, é porque o seu herói é consciente. Onde estaria, com efeito, a sua tortura se a cada passo a esperança de conseguir o ajudasse? O operário de hoje trabalha todos os dias da sua vida nas mesmas tarefas, e esse destino não é menos absurdo. Mas só é trágico nos raros momentos em que ele se torna consciente. Sísifo, proletário dos deuses, impotente e revoltado, conhece toda a extensão da sua miserável condição: é nela que ele pensa durante a sua descida. A clarividência que devia fazer o seu tormento consome ao mesmo tempo a sua vitória. Não há estino que não se transceda pelo desprezo.

Se a descida se faz assim, em certos dias, na dor, pode também fazer-se na alegria. Esta palavra não é de mais. Ainda imagino Sísifo voltando para o seu rochedo, e a dor estava no começo. Quando as imagens da terra se apegam de mais à lembrança, quando o chamamento da felicidade se torna demasiado premente, acontece qua a tristeza se ergue no coração do homem: é a vitória do rochedo, é o próprio rochedo. O imenso infortúnio é pesado de mais para se poder carregar. São as nossas noites de Gethsemani. Mas as verdades esmagadoras morrem quando são reconhecidas. Assim, Édipo obedece de início ao destino, sem o saber. A partir do momento em que sabe, a sua tragédia começa. Mas no mesmo instante, cego e deseperado, ele reconhece que o único elo que o prende ao mundo é a mão fresca de uma jovem. Uma frase desmedida ressoa então: "Apesar de tantas provações, a minha idade avançada e a grandeza da minha alma fazem-me achar que tudo está bem." O Édipo de Sófocles, como o Kirilov de Dostoievsky, dá assim a fórmula da vitória absurda. A sabedoria antiga identifica-se com o heroísmo moderno.

Não descobrimos o absurdo sem nos sentirmos tentados a escrever um manual qualquer da felicidade. "O quê, por caminhos tão estreitos?..." Mas só há um mundo. A felicidade e o absurdo são dois filhos da mesma terra. São inseparáveis. O erro seria dizer que a felicidade nasce forçosamente da descoberta absurda. Acontece também que o sentimento do absurdo nasça da felicidade. "Acho que tudo está bem", diz Édipo e essa frase é sagrada. Ressoa no universo altivo e limitado do homem. Ensina que nem tudo está, que nem tudo foi esgotado. Expulsa deste mundo um deus que nele entrara com a insatisfação e o gosto das dores inúteis. Faz do destino uma questão do homem, que deve ser tratado entre homens. Toda a alegria silenciosa de Sísifo aqui reside. O seu destino pertence-lhe. O seu rochedo é a sua coisa. Da mesma maneira, quando o homem absurdo contempla o seu tormento, faz calar todos os ídolos. No universo subtamente entregue ao seu silêncio, erguem-se as mil vozinhas maravilhosas da terra. Chamamentos inconscientes e secretos, convites de todos os rostos, são o reverso necessário e o preço da vitória. Não há sol sem sombra e é preciso conhecer a noite. O homem absurdo diz sim e o seu esforço nunca mais cessará. Se há um destino pessoal, não há destino superior ou, pelo menos, só há um que ele julga fatal e desprezível. Quanto ao resto, ele sabe-se senhor dos seus dias. Nesse instante sutil em que o homem se volta para a sua vida, Sísifo, regressando ao seu rochedo, contempla essa seqüência de ações sem elo que se torna o seu destino, criado por ele, unido sob o olhar da sua memória, e selado em breve pela sua morte. Assim, persuadido da origem bem humana de tudo o que é humano, cego que deseja ver e que sabe que a noite não tem fim, está sempre em marcha. O rochedo ainda rola.

Deixo Sísifo no sopé da montanha! Encontramos sempre o nosso fardo. Mas Sísifo ensina a fidelidade superior que nega os deuses e levanta os rochedos. Ele também julga que tudo está bem. Esse universo enfim sem dono não lhe parece estéril nem fútil. Cada grão dessa pedra, cada estilhaço mineral dessa montanha cheia de noite, forma por si só um mundo. A própria luta para atingir os píncaros basta para encher um coração de homem. É preciso imaginar Sísifo feliz.
 

A história de Sísifo

Mestre da malícia e dos truques, ele entrou para a tradição como um dos maiores ofensores dos deuses. Sísifo casou-se com Mérope, uma das sete Plêiades, tendo com ela um filho, Glauco.
Certa vez, uma grande águia sobrevoou sua cidade, levando nas garras uma bela jovem. Sísifo reconheceu a jovem Egina, filha de Asopo, um deus-rio, e viu a águia como sendo uma das metamorfoses de Zeus. Mais tarde, o velho Asopo veio perguntar-lhe se sabia do rapto de sua filha e qual seria seu destino. Sísifo logo fez um acordo: em troca de uma fonte de água para sua cidade ele contaria o paradeiro da filha. O acordo foi feito e a fonte presenteada recebeu o nome de Pirene e foi consagrada às Musas.
Assim, ele despertou a raiva do grande Zeus, que enviou o deus da Morte, Tânatos, para levá-lo ao mundo subterrâneo. Porém o esperto Sísifo conseguiu enganar o enviado de Zeus. Elogiou sua beleza e pediu-lhe para deixá-lo enfeitar seu pescoço com um colar. O colar, na verdade, não passava de uma coleira, com a qual Sísifo manteve a Morte aprisionada e conseguiu driblar seu destino.
Durante um tempo não morreu mais ninguém. Sísifo soube enganar a Morte, mas arrumou novas encrencas. Desta vez com Hades, o deus dos mortos, e com Ares, o deus da guerra, que precisava dos préstimos da Morte para consumar as batalhas.
Tão logo teve conhecimento, Hades libertou Tânatos e ordenou-lhe que troxesse Sísifo imediatamente para as mansões da morte. Quando Sísifo se despediu de sua mulher, teve o cuidado de pedir secretamente que ela não enterrasse seu corpo.
Já no inferno, Sísifo reclamou com Hades da falta de respeito de sua esposa em não o enterrar. Então suplicou por mais um dia de prazo, para se vingar da mulher ingrata e cumprir os rituais fúnebres. Hades lhe concedeu o pedido. Sísifo então retomou seu corpo e fugiu com a esposa. Havia enganado a Morte pela segunda vez.
Outra história a respeito de Sísifo trata do ocorrido quando Autólico, o mais esperto e bem-sucedido ladrão da Grécia (que era filho de Hermes e vizinho de Sísifo), tentou roubar-lhe o gado. Autólico mudava a cor dos animais. As reses desapareciam sistematicamente sem que se encontrasse o menor sinal do ladrão, porém Sísifo começou a desconfiar de algo, pois o rebanho de Autólico aumentava à medida que o seu diminuía. Sísifo, um homem letrado (teria sido um dos primeiros gregos a dominar a escrita), teve a idéia de marcar os cascos de seus animais com sinais de modo que, à medida que a res se afastava do curral, aparecia no chão a frase "Autólico me roubou". Posteriormente, Sísifo e Autólico fizeram as pazes e se tornaram amigos.
Sísifo morreu de velhice e Zeus enviou Hermes para conduzir sua alma a Hades. No tártaro, Sísifo foi considerado um grande rebelde e teve um castigo, juntamente com Prometeu, Títio, Tântalo e Ixíon.
Por toda a eternidade Sísifo foi condenado a rolar uma grande pedra de mármore com suas mãos até o cume de uma montanha, sendo que toda vez que ele estava quase alcançando o topo, a pedra rolava novamente montanha abaixo até o ponto de partida por meio de uma força irresistível. Por esse motivo, a tarefa que envolve esforços inúteis passou a ser chamada "Trabalho de Sísifo". 

Trabalho de Sísifo

Sísifo tornou-se conhecido por executar um trabalho rotineiro e cansativo. Tratava-se de um castigo para mostrar-lhe que os mortais não têm a liberdade dos deuses. Os mortais têm a liberdade de escolha, devendo, pois, concentrar-se nos afazeres da vida cotidiana, vivendo-a em sua plenitude, tornando-se criativos na repetição e na monotonia.

15 de fev. de 2011

Bagagem cultural é mais cobrada nos vestibulares

A temporada de estudos na França proporcionou a Juliana Pacetta, de 20 anos, jornadas culturais diferenciadas, como visitas ao Museu do Louvre, um dos maiores do mundo. No retorno ao Brasil, a estudante percebeu o quanto a bagagem cultural ganhou importância nos vestibulares do País, que transformaram o conhecimento de obras de artes plásticas e filmes em conteúdos obrigatórios.

Juliana passou os últimos dias comemorando a conquista do primeiro lugar no processo seletivo do curso de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV), em São Paulo. Nos últimos quatro meses, além da FGV, "questões culturais" também foram cobradas de vestibulandos da Fundação Cásper Líbero e da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), por exemplo.
A ideia é testar a visão de mundo dos candidatos, exigindo conhecimentos culturais que extrapolem o domínio das disciplinas tradicionais do ensino médio. Em geral, por meio de itens interdisciplinares, são testados conhecimentos sobre música e artes plásticas, cênicas e audiovisuais - algo que uma jornada cultural pode transmitir mais facilmente que uma aula tradicional.
"Queremos alunos diferenciados, que deduzam, reflitam, contextualizem", diz o diretor do vestibular da Faap, Jorge Miguel. "A bagagem cultural pode indicar o potencial do aluno." Por lá, candidatos a vagas em Administração, por exemplo, deveriam conhecer o filme Cidade do Silêncio (2006).
O potencial de Juliana rendeu a ela uma bolsa integral de um ano no ato da matrícula na FGV, prêmio pelo destaque no vestibular. "Com certeza, as experiências vividas no exterior e o contato com a cultura foram fundamentais", diz.
Peso maior. Professor da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, Ocimar Munhoz Alavarse vê como positiva a exigência do "saber cultural" nos vestibulares. "No Brasil, há uma tradição curricular muito forte e algumas disciplinas passaram a ganhar mais peso."
Alavarse ressalta, porém, que o acesso à cultura não é universal e a avaliação da bagagem cultural pode ser um critério desigual em razão das diferenças socioeconômicas. "Mas o currículo (de uma avaliação) é sempre arbitrário e depende dos critérios do avaliador."
Ao exigir em sua prova a interpretação e a contextualização de obras como Bicho, de Lygia Clark, e Banhista Enxugando a Perna Direita, de Renoir, a coordenadora do curso de Direito da FGV, Adriana Ancona de Faria, diz selecionar candidatos com a formação ideal para a instituição. "É a capacidade analítica que é avaliada, habilidade que será cobrada no curso e na vida profissional", afirma.
Foi essa proposta que atraiu Isabella Becker, 21 anos, aluna de Direito da FGV. "O vestibular indicou que buscavam alunos flexíveis, com capacidades e habilidades além do conteúdo aprendido em sala de aula", lembra.
Coordenador de vestibular da Cásper Líbero, Roberto Chiachiri crê que a capital dá ao estudante a chance de uma "formação universal". Vestibulando da Cásper, Eduardo Nattanael, 17 anos, corre em busca disso. "Não consegui (passar no vestibular), mas foi a primeira tentativa. Percebi a importância da bagagem cultural. Quem conhece é capaz de aprofundar mais nas questões relacionadas a obras de arte, peças de teatro e filmes."

Fonte:
"O Estado de S. Paulo" - 14/02/2010

Assim, não dá para perder tempo. O conhecimento de artes plásticas, cênicas e audiovisuais são importantíssimos para o vestibular e para a vida.

10 de fev. de 2011

Visite 17 museus sem sair de casa

Você teria de ir a nove países para conhecer a coleções de 17 dos principais museus do mundo, como o Hermitage, de Moscou, o MoMA de Nova York, ou o Reina Sofia, de Madri

Agora você pode ver as obras das principais galerias de arte do mundo da sua casa. É um projeto do Google que com certeza vai fazer a alegria dos amantes das Artes e da Cultura.

Explorar os museus mais famosos do mundo sem sair de casa agora já é possível. Graças à tecnologia do Google Street View, imagens de 17 museus e mais de 1000 obras de arte estão disponíveis na web em alta resolução. A National Gallery, o Van Gogh Museum e o Palácio de Versailles são alguns dos lugares que os visitantes podem conhecer acessando googleartproject.com.

Veja abaixo:

(bluebus.com.br)

O Evangelho Segundo Jesus Cristo, de José Saramago


           Publicado em 1991, Saramago foi questionado até mesmo pelo governo e pela Igreja sobre o livro. Já a crítica esclarecida é unânime em atribuir ao livro o título de obra-prima.

São 24 capítulos, sem numeração, nem título.

Não há muitas informações sobre a vida do jovem Cristo. Os quatro evangelhos contam a vida de Cristo (menino e homem, morto aos 33 anos), omitindo sua juventude. Saramago, portanto, parte desta lacuna para contar a seu modo a vida do jovem Cristo. Ele oferece nova versão à tão conhecida história do filho de Deus.

A carnavalização é um termo proposto por Bakhtin para explicar o procedimento que aparece em textos como este, isto é, os desvios e inversões nas narrativas consagradas pela tradição. Desta forma, é a quebra do que está sacralizado pelas normas ou tradição.

Exatamente o que ocorre nesta história contada por Saramago que humaniza absolutamente Jesus Cristo. Ele está repleto de imperfeições e vícios nada divinos, com um Deus consciente do preço que a humanidade terá de pagar para que seu poder se estabeleça entre os homens, e com um diabo impotente e aborrecido diante de seu papel, eterno e imposto por Deus, de atuar na história como um contraponto à bondade divina.

O plano de Deus, segundo Saramago, é sacrificar Jesus, como seu filho, e tornar-se o único Deus a ser glorificado na terra, acabando, assim, o politeísmo e com as demais crenças religiosas. Desta maneira, escolhe um casal na terra de forma aleatória para gerar o filho de Deus.

Estes são exemplos da carnavalização do plano de salvação:

“Então, o Senhor não me escolheu, Qual quê, o Senhor ia só passar (...), mas reparou que tu e José eram gente robusta e saudável” (SARAMAGO, 2001, p.311)

“E qual foi o papel que me destinaste no teu plano, O de mártir, meu filho, o de vítima, que é o de melhor há para fazer espalhar uma crença e afevorar uma fé.” (SARAMAGO, 2001, p.370)

A carnavalização também pode ser vista pela relação entre Deus e o Diabo.

A face de Deus demonstrada na obra é um ser egoísta, pouco interessado pelos assuntos humanos. Já o Diabo mostra interesse pela preservação da vida, seja ela qual for, imagem que contraria o modo como a tradição cristã o apresenta: o “inimigo”.
Na verdade Deus não pode existir sem o Diabo:

(...) Não me aceitas, não me perdoas, não te aceito, não te perdôo, quero te
como és, e, se possível, ainda pior do que és agora, Porquê, Porque este
Bem que eu sou não existiria sem este Mal que tu és, um Bem que tivesse
que existir sem ti seria inconcebível, a um tal ponto que nem eu posso
imaginá-lo, enfim, se tu acabas, eu acabo, para que eu seja o Bem, é
necessário que tu continues a ser o Mal, se o Diabo não vive como o
Diabo, Deus não vive como Deus, a morte de um seria a morte do outro.
(SARAMAGO, 2001, p. 392-3).

O autor faz também cair às teses sagradas da Bíblia. Assim, o "anjo da anunciação" aparece para Maria na pele de um mendigo. Os três Reis Magos transformam-se em pastores e, em vez de ofertarem ao recém-nascido ouro, incenso e mirra, dão a seus pais leite, queijo e pão presentes mais "humanamente necessários" para quem chega ao mundo numa manjedoura. Até o envolvimento de Jesus com "Maria Madalena é desmistificado no livro.

O Jesus de Saramago é um homem só e sofredor nesta Terra, com a sua insustentável humanidade, seus temores e as suas perguntas sem respostas. Assim, o Cristo de Saramago não se sacrifica pela humanidade, mas sim pela culpa de seu pai José, pois ele poderia ter poupado os inocentes de serem sacrificados por Herodes, mas preferiu fugir para salvar a vida do seu filho e assim deixou que os recém nascidos de Belém fossem mortos. Com aspectos humanos, Jesus carregou essa culpa pela vida inteira. Sua decisão de tornar-se instrumento de Deus foi motivada por essa culpa.

             A verdade é que apesar de ser considerado ateu, Saramago nunca negou a existência de Deus. Ele apenas o humanizou. Jesus é o seu reflexo no homem.

Os recursos linguísticos utilizados pelo autor são um tanto inusitados: coloca ponto onde normalmente se espera encontrar uma vírgula e vírgula onde seria normal encontrar um ponto. Maiúsculas depois da vírgula e não depois do ponto. Escreve longos parágrafos sem pontuação. Talvez seja a representação da vida, sem paradas para respirar.

Fonte: 
SARAMAGO, José. O Evangelho Segundo Jesus Cristo. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

9 de fev. de 2011

Escrever é falar no papel

Escrever é falar no papel. Esta frase foi retirada do livro de Donald Weiss Como Escrever com Facilidade, do Círculo do Livro. Ele afirma que o medo acaba inibindo as pessoas alfabetizadas a escreverem. Já que escrever é falar no papel, o primeiro passo para perder este medo é escrever como se estivesse falando, depois vai melhorando o texto, fazendo várias versões (rascunhos) dele.
Ele conta a história de João Carlos, um funcionário que criou um produto novo e foi fazer uma exposição sobre ele à diretoria da empresa. Ele foi tão bem que acabou sendo designado a diretor de "marketing", mas Wilson, presidente da empresa, pediu que lhe entregasse o texto de sua fala na próxima semana. 
A sua promoção, um sonho acalentado há muito, acabara se transformando em suplício, pois João Carlos nunca fora um bom aluno em Português, era traumatizado, não conseguia redigir um bilhete, imagine passar no papel a fala de quase uma hora. 
No final do dia, ele tomou uma decisão, foi falar com Wilson. Desistiria da promoção e acabaria com aquele ansiedade. Wilson não aceitou a sua abdicação, pois se ele dissera tudo aquilo tão bem, sem nenhum texto previamente escrito, João Carlos era mais inteligente do que imaginara. E foi mais além, dizendo-lhe que se ele teve a capacidade de falar tão bem, conseguiria escrever também. Era só perder o medo.
Às vezes, me perguntam como consigo escrever todos os dias, "fazer bons textos", de onde veio esta facilidade. Eu digo que já construí, e continuo, muitos textos ruins, a única diferença entre mim e o inquiridor é que sou corajoso, não tenho exarcebado em mim o senso de ridículo. 
Escrever sem medo e sem preguiça, fazendo vários rascunhos, lendo em voz alta o texto escrito para descobrir as falhas (subvocalização) são técnicas indispensáveis. E o restante advém da coragem, de não ter medo de errar e de ser criticado por alguém que nunca escreveu nada, mas que está sempre pronto a destruir a criatividade do outro. 

Hélio Consolaro
Professor de Língua Portuguesa

Breve História de Quase tudo

Um aspecto curioso de nossa existência é provirmos de um planeta exímio em promover a vida, mas ainda mais exímio em extingui-la.
A espécie típica na Terra dura apenas uns 4 milhões de anos. Desse modo, se quiser permanecer aqui por bilhões de anos, você precisa ser tão volúvel quanto os átomos que o constituem. Precisa estar preparado para mudar tudo em você - forma, tamanho, cor, espécie a que pertence, tudo - , e fazê-lo vezes sem conta. Isso é mais fácil de falar que de fazer, porque o processo de mudança é aleatório. Passar do “glóbulo atômico primordial protoplasmático” (como diz a canção de Gilbert e Sullivan) para ser um ser humano moderno, ereto e consciente exigiu uma série de mutações, criadoras de novos traços, nos momentos certos, por um período longuíssimo. Portanto, em diferentes épocas dos últimos 3,8 bilhões de anos, você teve aversão ao oxigênio e depois passou a adorá-lo, desenvolveu membros e barbatanas dorsais ágeis, pôs ovos, fustigou o ar com uma língua bifurcada, foi luzidio, foi peludo, viveu sob a terra, viveu nas árvores, foi grande como um veado e pequeno como um camundongo, e milhões de outras coisas. Se você se desviasse o mínimo que fosse de qualquer dessas mudanças evolucionárias, poderia estar agora lambendo algas em paredes de cavernas, espreguiçando-se como uma morsa em alguma praia pedregosa ou lançando ar por um orifício no alto da cabeça antes de mergulhar vinte metros para se deliciar com uns suculentos vermes.
Além da sorte de ater-se, desde tempos imemoriais, a uma linha evolucionária privilegiada, você foi extremamente - ou melhor, milagrosamente - afortunado em sua ancestralidade pessoal. Considere o fato de que, por 3,8 bilhões de anos, um período maior que a idade das montanhas, rios e oceanos de Terra, cada um dos seus ancestrais por parte de pai e mãe foi suficientemente atraente para encontrar um parceiro, suficientemente saudável para se reproduzir e suficientemente abençoado pelo destino e pelas circunstâncias para viver o tempo necessário para isso. Nenhum de seus ancestrais foi esmagado, devorado, afogado, morto de fome, encalhado, aprisionado, ferido ou desviado de qualquer outra maneira da missão de fornecer uma carga minúscula de material genético ao parceiro certo, no momento certo, a fim de perpetuar a única seqüência possível de combinações hereditárias capaz de resultar - enfim, espantosamente e por um breve tempo - em você.

(Disponível em:
<http://paginatreze.wordpress.com/category/ciencia/>. Acesso em: 16 out. 2008).

27 de jan. de 2011

Filmes para os vestibulares


O objetivo do concurso é selecionar o melhor tipo de leitor, o mais crítico, o mais antenado. 

O texto literário se expressa de outras formas que não só no livro. Ele está presente nos filmes.

Aos fins-de-semana desfrutem o tempo para assistir a um bom filme. Isto requer, às vezes, sacrifício, uma vez que a lista de filmes para os vestibulares não incluem os "blockbuster".

A UFBA já cobra em seu vestibular filmes, bem como a FGV.

É uma tendência natural para os próximos anos, pois assistir a filmes demanda um olhar crítico tanto quanto ler um bom livro.



A lista da UFBA

O Auto da Compadecida - Guel Arraes
Carlota Joaquina, Princesa do Brasil - Carla Camurati
O Carteiro e o Poeta - Michael Radford
Central do Brasil - Walter Salles
Dodeskaden - Akira Kurosawa
Eu, Tu, Eles - Andrucha Waddington
A Excêntrica Família de Antonia - Marleen Gorris
A Hora da Estrela - Suzana Amaral
Inteligência Artificial - Steven Spielberg
Memórias Póstumas de Brás Cubas - André Klotzel


Filmoteca para o vestibular


Antiguidade e Idade Média

A Guerra do Fogo - Jean-Jacques Annaud
Spartacus - Stanley Kubrick
Júlio César - Joseph Mankiewicz
Gladiador - Ridley Scott
El Cid - Anthony Mann
O Sétimo Selo - Ingmar Bergman
O Nome da Rosa - Jean-Jacques Annaud
Joana d'Arc - Victor Fleming
Santa Joana - Otto Preminger
Joana d'Arc - Christian Duguay
O Incrível Exército de Brancaleone - Mario Monicelli

Idade Moderna

Marco Polo - Viagens e Descobertas - Giuliano Montaldo
O Poço e o Pêndulo - Stuart Gordon
As Profecias de Nostradamus - Roger Chirstian
1492: A Conquista do Paraíso - Ridley Scott
Cristóvão Colombo: A Aventura do Descobrimento - John Glen
Agonia e Êxtase - Carol Reed
Paixão e Guerra no Sertão de Canudos - Antônio Olavo
Gaijin - Os Caminhos da Liberdade - Tizuka Yamasaki
Guerra dos Pelados - Sylvio Back
Eternamente Pagu - Norma Bengell
A Revolução de 30 - Sylvio Back
Getúlio Vargas - Ana Carolina Teixeira Soares
O Caso dos Irmãos Naves - Luiz Sérgio Person
O Homem da Capa Preta - Sérgio Rezende
Aleluia Gretchen - Sylvio Back
For all - O Trampolin da Vitória - Luiz Carlos Lacerda e Buza Ferraz
Rádio Auriverde - a FEB na Itália - Sylvio Back
O Velho - A História de Luís Carlos Prestes - Toni Venturi
Os Anos JK - Uma Trajetória Política - Silvio Tendler
Jango - Silvio Tendler
Jânio a 24 Quadros - Luiz Alberto Pereira
Lamarca - Sérgio Rezende
Patriamada - Tizuka Yamasaki
O Homem Que Não Vendeu Sua Alma - Fred Zinnermann
Ana dos Mil Dias - Charles Jarrott
Elizabeth - Shekhar Kapur
Giordano Bruno - Giuliano Montaldo
A Rainha Margot - Patrice Chéreau
As Revoluções
Cromwell - Ken Hughes
Revolução - Hugh Hudson
A Noite de Varennes (Casanova e a Revolução) - Ettore Scola
Danton, O Processo da Revolução - Andrzej Wajda
Napoleão - Sacha Guitry
Napoleão - Abel Gance
Tempo de Glória - Edward Zwick
Garibaldi - Luigi Magni
Vidas Marcadas - Bill Douglas
Walker - Uma História Real - Alex Cox
A Guerra do Ópio - Xie Jin
55 dias em Pequim - Nicholas Ray
Zulu - Cy Endfield


O Século 20

Nós Que Aqui Estamos Por Vós Esperamos - Marcelo Masagão
A Grande Ilusão - Jean Renoir
Gallipoli - Peter Weir
Lawrence da Arábia - David Lean
Agonia - Elem Klimov
Outubro - Serguei Eisenstein e Grigory Alexandrov
Reds - Warren Beatty
Sacco e Vanzetti - Giuliano Montaldo
Rosa Luxemburgo - Margarethe von Trotta
O Ovo da Serpente - Ingmar Bergman
Hitler - Kingsley Martin
Arquitetura da Destruição - Peter Cohen
O Triunfo da Vontade - Leni Riefenstahl
Prelúdio de Uma Guerra - Frank Capra
Novecento - Bernardo Bertolucci
Tempos de Viver - Zhang Yimou
Terra e Liberdade - Ken Loach
Concorrência Desleal - Ettore Scola
Pearl Harbor - Michael Bay
Patton: Rebelde ou Herói? - Franklin Schaffner
Stalingrado - A Batalha Final - Joseph Vilsmaier
Círculo de Fogo - Jean-Jacques Annaud
Holocausto - Marvin Chomsky
O Início do Fim - Roland Joffé
Hiroshima - A História da Bomba - Roger Spottiswoode
Julgamento em Nuremberg - Epílogo da Tragédia - S. Svilov
O Julgamento de Nuremberg - Alec Baldwin
Julgamento em Nuremberg - Stanley Kramer
Roma, Cidade Aberta - Roberto Rossellini
Mississipi em Chamas - Alan Parker
Mísseis de Outubro - Anthony Page
Treze Dias Que Abalaram o Mundo - Roger Donaldson
Todos os Homens do Presidente - Alan J. Pakula
Nixon - Oliver Stone
A Síndrome da China - James Bridges
Guerra e Paz no Oriente Médio - Carla Gil Pontes
O Ano Que Vivemos em Perigo - Peter Weir
Apocalypse Now - Francis Ford Coppola
Plattoon - Oliver Stone
Os Gritos do Silêncio - Roland Joffé
Um Grito de Liberdade - Richard Attenborough
Chove Sobre Santiago - Helvio Soto
A Casa dos Espíritos - Bille August
Desaparecido - Um Grande Mistério - Constantin Costa-Gavras
Prisioneiro Sem Nome - Linda Yellen
A História Oficial - Luis Puenzo
A Ferra da Guerra - Kevin Reynolds
A Casa da Rússia - Fred Shepisi
Kundun - Martin Scorsese
Salvador, O Martírio de Um Povo - Oliver Stone
O Brasil na História
República Guarani - Sylvio Back
A Missão - Roland Joffé
Brava Gente Brasileira - Lúcia Murat
Xica da Silva - Carlos Diegues
Quilombo - Carlos Diegues
Tiradentes, O Mártir da Inconfidência - Geraldo Vietri
Os Inconfidentes - Joaquim Pedro de Andrade
Guerra do Brasil - Sylvio Back
Mauá, o Imperador e o Rei - Sérgio Rezende

Minha lista particular

Alguns filmes  importantíssimos para reflexão, formação de argumentos e ponto de vista:

- Jogos de Poder
- Cordeiros e Leões
- Soldado Anônimo
- Batismo de Sangue - filme brasileiro
- Estômago -  filme brasileiro
- O Último Rei da Escócia
- Hotel Ruanda (sensacional!)
- O Pianista
- Carlota Joaquina - filme brasileiro
- Terra de Ninguém
- A História Oficial - filme argentino!
- Corações e mentes  -filme muito antigo!
- Uma verdade inconveniente (documentário)
- 11 de Setembro- filme francês
- A vida dos outros - filme alemão (sensacional!)
-  Persépolis
- Adeus, Lênin!
- Syriana
- A grande viagem
- Criança Invisíveis (sensacional!)
- 11/9 (documentário)
- A culpa é do Fidel  
- O carteiro e o poeta
- Cidade de Deus
- Abril Despedaçado
- 1984
- Capitu (série)
- Dom
- Vidas Secas
- Cinema Paradiso
- Nove rainhas (Argentina)
- Minority Report
- Femme Fatale
- Blade Runner (clássico)
- Escritores da liberdade
- Mar adentro (eutanásia)
- Fahrenheit 451 (francês - sensacional)
- A Vila
- O show de Truman
- O náufrago
- Che
- A Casa dos Espíritos
- O segredo dos meus olhos
- Babel
- Tropa de Elite 1 e 2
- Macunaíma
- Munique


Entre outros que completarei no decorrer do tempo.


Boa diversão!!!

Um beijo,

Luciana

18 de jan. de 2011

Passaporte da Leitura e da Escrita

Um dado espantoso: aos 3 anos, uma criança de família de baixa renda ouviu 30 milhões de palavras menos do que uma criança de uma família mais favorecida.

E que diferença isso pode fazer? Toda a diferença do mundo!

• As palavras são as nossas principais ferramentas para entender o que se passa, fazer coisas acontecerem e garantir harmonia entre as pessoas. As palavras são instrumentos para pensar.

• Quanto mais palavras você conhece, compreende, lê e escreve, menos possibilidade você tem de se enganar ou ser enganado, numa sociedade letrada como é a nossa.

• Quando uma pessoa aprende a ler, ela passa a ter acesso a tudo o que a humanidade registrou em todos os tempos e lugares.

• Quando uma pessoa aprende a escrever, ela ganha o direito de registrar a sua própria palavra e transmiti-la ao mundo.

O que transforma uma pessoa não é aprender a ler e a escrever: é fazer uso da leitura e da escrita.

Ler e escrever BEM são coisas que demandam preparação e prática.

Faz parte disso – e que parte importante! – mergulhar no mundo da palavra escrita.


LER BEM, ESCREVER BEM

Quanto tempo de leitura?

15 minutos por dia é uma boa média para o contato com livros e outros materiais de leitura.

Claro que nada impede, e é até desejável, que esse tempo seja aumentado!

Para os bem pequeninos, é bom deixar os livros ao alcance da mão, para que brinquem, manuseiem e folheiem. Esse é o primeiro passo para se tornar um leitor.

“Eu nunca tive nenhum problema que uma hora de leitura não pudesse amenizar.”
(Montesquieu)

“Eu adoro me perder nas mentes de outras pessoas. Os livros pensam por mim.”
(Charles Lamb)

Se uma pessoa aprendeu a ler e não é um leitor fluente, isso quer dizer que faltou prática de leitura.

QUE TIPO DE LEITURA?

É bom praticar TRÊS tipos de leitura:

• leitura BÁSICA, com ajuda de um adulto ou jovem leitor mais experiente;

• leitura diária individual de ESTUDO, ao fazer as lições de casa e o trabalho escolar;

• leitura escolhida por PRAZER.

E POR QUE SERÁ QUE TANTA GENTE ACHA DIFÍCIL ESCREVER?

Falta de prática, talvez de hábito... Medo de errar? Pode ser. Também pode ter a ver com isto:

Os pensamentos voam e as palavras andam a pé. Esse é o drama de quem escreve.

(Julien Green)

Seja qual for a razão para a dificuldade, os próprios escritores dão boas orientações para vencer a barreira, encher-se de coragem, enfrentar o papel em branco e nele exercer o direito de escrever – e, assim, garantir a permanência das palavras.

Use estas ideias para si mesmo e para ajudar outras pessoas – especialmente as crianças e os jovens – a ficarem mais à vontade com a palavra escrita.

A palavra escrita permanece.

PARA COMEÇAR

A primeira regra, que, por si só, já pode garantir um bom estilo, é ter alguma coisa a dizer.”

(Arthur Schopenhauer)

REMÉDIO CONTRA INSÔNIA

Eu punha um pedaço de papel debaixo do travesseiro, e, quando não conseguia dormir, escrevia no escuro.”

(Henry David Thoreau)

AVENTUREIRO DA PALAVRA PERDIDA

Escrever é uma aventura de explorador. Você começa do nada e aprende à medida que avança.”

(E.L. Doctorow)

ESCREVER, ESCREVER, ESCREVER

Só existe um jeito de aprender a escrever melhor: escrever.”

(Doris Lessing)

Só existe um jeito de fracassar ao escrever: parar de escrever.”

(Ray Bradbury)

Eu me sento diante da máquina de escrever, me encho de esperança e fico à espreita do que virá.”

(Mignon Eberhart)

Para mim, o maior prazer de escrever não é o assunto, mas a música interior que as palavras fazem.”

(Truman Capote)


PALAVRA ESCRITA, A MELHOR AMIGA DA MEMÓRIA

“Escreva o que não deve ser esquecido.”

(Isabel Allende)


Escreva BILHETES
Escreva listas de coisas a fazer
Anote pensamentos e IDÉIAS
Copie poemas
Faça JOGOS DE PALAVRAS e trocadilhos
Faça palavras cruzadas
Jogue forca
Copie letras de músicas
Use agendas de lembranças
FAÇA DIÁRIO
Faça um caderno de piadas
Escreva as HISTÓRIAS que os mais velhos contam
Faça álbuns com fotos e informações sobre a FAMÍLIA e os AMIGOS.

Fonte:
Passaporte da Leitura e da Escrita
Instituto EcoFuturo