14 de abr. de 2011

A interdição do véu

A França é o primeiro país europeu a lançar-se ao ataque contra véu islâmico, embora numerosas muçulmanas em muitos outros países também usem a burca. Precauções extremas foram tomadas para evitar que a lei pareça dirigida exclusivamente contra o Islã.

Primeira precaução: a burca não é a única vestimenta visada. É igualmente proibido transitar com o rosto oculto sob uma máscara ou um capuz. A lei não proíbe uma prática religiosa, islâmica, mas quer simplesmente impedir que qualquer pessoa na França mostre seu rosto. Um palhaço cristão ou budista que andasse com o rosto coberto por uma máscara seria preso.


Segunda precaução: os policiais deverão dar prova de delicadeza. Antes de cobrar uma multa de 150 euros, eles explicarão à mulher que ela deve mostrar seu rosto para permitir o controle de sua identidade. Em nenhum caso, o véu será retirado contra a vontade. Mas, se a "operação persuasão" fracassar, a pessoa faltosa será encaminhada à Procuradoria da República.

Na França, contam-se no máximo 3 mil mulheres adeptas do niqab ou da burca. Como explicar que um dispositivo tão pesado tenha sido montado para tão poucas pessoas? Primeiro, defende-se um princípio: a França é um país laico. Ela não pode tolerar nenhuma marca religiosa fora dos templos. Depois, o uso dessas máscaras é atentatório à liberdade e à dignidade da mulher. Por essa razão, multas muito mais pesadas serão aplicadas aos homens que obrigarem suas mulheres a adotar o véu.

Mas como provar semelhante coerção? Uma sondagem foi feita com 32 mulheres que usavam o véu integral. A maioria, 29, é nascida na França ou convertida. Primeira constatação: 12 dessas 32 mulheres adotaram o véu somente depois que eclodiu o debate sobre a vestimenta, em 2009.

"Em face aos ataques lançados contra minha religião, quis reafirmar minha identidade." Uma dessas mulheres explicou sua escolha: "Eu disse a Deus: se quereis que eu use o niqab, dai documentos a meu marido." O marido recebeu os documentos e, em seguida, a mulher cobriu o rosto.

Todas dizem que estão felizes e falam de uma experiência quase mística. "Eu sinto orgulho e um verdadeiro êxtase." Ou ainda: "A burca me introduz numa existência monástica." Outras fazem análises de tendências feministas: "O niqab me protege do olhar dos homens." Safra, de 17 anos, diz que o niqab assegura a separação dos sexos. Parveen, de 19, reconhece que, desde que usa o véu, não fala mais com homens.


Essas mulheres são muito críticas das instituições oficiais do Islã francês. Com frequência, lembraram que o uso do véu era um costume tardio que não figurava nos princípios islâmicos. As mulheres que optaram pelo uso do véu se dizem convencidas de que, ao contrário, a interdição está inscrita no Alcorão.
 
 
"O véu faz parte da religião", disse uma delas. "As mulheres do Profeta estavam todas integralmente cobertas." No conjunto, essas mulheres são hostis à lei. Nenhuma delas, porém, quer entrar em guerra contra a república. Todas dizem que, se lhes pedirem para tirar o véu para identificação, estão prontas para tirá-lo.

Por:

Gilles Lapouge, correspondente em Paris.
O Estado de S. Paulo, 12/04/11

Há 50 anos, homem chegava ao espaço pela primeira vez

Na manhã de 12 de abril de 1961, o soviético Alekseyevich fez um café-da-manhã inédito. Flutuando a 327 km acima da superfície terrestre, o homem de apenas 27 anos comeu e bebeu dentro de uma bola de apenas 2,3 m. Ficou conhecido para a posteridade como Yuri Gagarin e seu desjejum matinal foi apenas um feito dentro de outro maior: o primeiro voo de um humano no espaço.
Foi a segunda refeição do dia para o piloto da força aérea da extinta URSS. Horas antes, na companhia do seu substituto imediato German Titov, o cosmonauta já havia recebido “comida do espaço” para se acostumar à rotina durante a missão. Gagarin foi o escolhido entre mais de 3,5 mil aspirantes à missão, após intensos testes de resistência física e psicológica. Somente seis homens foram selecionados como possíveis candidatos à primeira aventura do homem no espaço. A decisão sobre quem iria estar a bordo da nave redonda Vostok 1 foi comunicada ao grupo apenas quatro dias antes da missão.Foi a segunda refeição do dia para o piloto da força aérea da extinta URSS. Horas antes, na companhia do seu substituto imediato German Titov, o cosmonauta já havia recebido “comida do espaço” para se acostumar à rotina durante a missão.
À época, a extinta União Soviética e os Estados Unidos travavam uma batalha silenciosa para saber qual nação levaria o primeiro ser humano à Lua. Os norte-americanos venceram a disputa em 1969, com o “pisão” inaugural de Neil Armstrong no satélite natural da Terra, mas nos oito anos anteriores, os soviéticos sempre estiveram à frente - inclusive no lançamento do primeiro satélite artificial, o Sputnik, em 1957.
Os Estados Unidos só levariam o primeiro homem ao espaço alguns meses mais tarde, durante a viagem de Alan Shepard no voo da Freedom 7, em 5 de maio de 1961. Porém somente em 7 de fevereiro de 1962, durante a missão Friendship, com John Glenn, o país teve seu primeiro astronauta completando uma volta inteira ao redor do planeta. Ambos os feitos fizeram parte do Projeto Mercury, da agência espacial norte-americana (Nasa).
‘Poyekhali’
O voo de Gagarin começou às 09h07 no horário de Moscou, com o lançamento da cápsula Vostok 1 com o foguete R-7.
Antes de decolar, o cosmonauta gritou “Poyekhali!” (“Vamos nessa!", em tradução livre).
A nave partiu das instalações do então secreto Cosmódromo de Baikonur, conhecido à época também como Tyuratam, localizado atualmente nas estepes do Cazaquistão – uma das ex-repúblicas soviéticas.
Onze minutos após a decolagem, o combustível do foguete acabou, a cápsula redonda Vostok foi liberada e a humanidade entrava em órbita pela primeira vez.
Gagarin 4 (Foto: Nasa)Yuri Gagarin ao ser transportado para o lançamento da Vostok 1, na manhã de 12 de abril de 1961. Ao fundo da imagem está German Titov, piloto reserva da missão, que foi ao espaço na missão Vostok 2. (Foto: Nasa)
Para girar ao redor do planeta, a Vostok precisou alcançar uma velocidade média de 28 mil km/h. Gagarin não chegou a controlar a nave, ainda que os controles para uma operação manual da Vostok 1 estivessem disponíveis ao piloto soviético.
Durante os 108 minutos de duração da missão, Gagarin deu uma volta inteira em torno da Terra. Os relatos do cosmonauta narram a sensação de estar sob o efeito de uma gravidade menor, além de uma preocupação constante sobre os dados do voo – ao solicitá-los à equipe responsável na Terra.
O cosmonauta retornou ao solo terrestre às 10h55 em uma área de plantação em Smelovka, na província de Saratov, a 300 km de onde deveria ter pousado. De volta ao planeta, Gagarin recebeu seu terceiro café-da-manhã naquele dia: leite e pão de Anna Takhtarova, uma avó espantada com a figura de um homem vestido em trajes laranjas e com um capacete, vindo do espaço.
Vostok 1a (Foto: ESA)A cápsula Vostok 1, com apenas 2,3 m de diâmetro,
após aterrissar de volta na Terra. (Foto: ESA)
Legado
Gagarin virou um herói soviético após retornar ao planeta que ele observou - pela primeira vez - de fora. Foi poupado de outras missões pelo medo de um acidente encerrar a vida de um dos principais ícones soviéticos durante a Guerra Fria.
Ironicamente, o temor se justificou em 28 de maio de 1968, quando em um acidente ainda envolto em mistério, Gagarin morreu durante testes em um avião MiG.
Após a tragédia, uma cratera na Lua e um asteroide foram nomeados em homenagem ao cosmonauta.
Depois de Gagarin, mais de 400 pessoas – de 30 países diferentes – já estiveram no espaço. A maior distância já percorrida por humanos foi pouco maior que 400 mil quilômetros, durante a quase fatal missão Apollo 13, da Nasa.
Fontes:
G1 e História Pensante

Um bom professor, um bom começo

Todos Pela Educação


Um bom professor, um bom começo é a nova campanha do Todos Pela Educação pela valorização do professor.

Veja vídeo: http://migre.me/4eMnF

13 de abr. de 2011

Falta mão de obra qualificada

A falta de mão de obra qualificada prejudica 69% das indústrias de transformação e extrativa do País. Os dados constam na Sondagem Especial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada nesta quarta-feira. Em 2007, quando um estudo prévio foi realizado, 56% das empresas do setor haviam apontado problemas com a qualificação da mão de obra.

Para Renato da Fonseca, gerente-executivo da Unidade de Pesquisa da CNI, a maior percepção com relação ao problema da mão de obra está associada ao crescimento da economia nos últimos anos. “O crescimento econômico agrava o problema da mão de obra qualificada, porque você precisa produzir mais, com maior qualidade, para ter produtividade e competir com os importados e em mercados estrangeiros.”

O estudo entrevistou executivos de 1.616 empresas de pequeno, médio e grande porte, entre os dias 3 e 26 de janeiro.

Uma das principais conclusões do levantamento é que a falta de mão de obra impacta toda a indústria brasileira. O problema afeta com maior intensidade as companhias de pequeno e médio porte (70% do total), segundo a CNI. Nas grandes indústrias, a dificuldade com mão de obra atinge 63% das companhias.

A área de produção é a principal afetada pela escassez de mão de obra qualificada. A maior necessidade está nos cargos de operador de produção (94%), técnicos de produção (82%) e engenheiros de produção (61%).



Mas a falta de trabalhador qualificado também é vista nas mais diversas áreas e categorias, segundo a CNI. Para 62% das indústrias, há dificuldades com trabalhadores qualificados para cargos gerenciais. As áreas administrativas (62%), vendas e marketing (71%) e administrativa (66%) também sofrem com a falta de qualificação de mão de obra.

Educação

Renato da Fonseca pontua que a educação básica é o principal entrave para a qualificação dos trabalhadores da indústria. “Foi o tempo em que o trabalhador simplesmente apertava um parafuso. Hoje, em qualquer área tem tecnologia inserida. Isso demanda um conhecimento de lógica, de interpretação e matemática bastante avançado.”


Segundo a sondagem da CNI, 84% das empresas disseram ter dificuldades para capacitar os funcionários. “No longo prazo, se não tivermos um investimento em educação vamos enfrentar problemas de produção.”

Para 52% das indústrias ouvidas, a má qualidade da educação básica é a principal barreira para qualificar os trabalhadores. Outros 38% disseram que perder o trabalhador para o mercado, depois do período da qualificação, é um impedimento. O pouco interesse dos trabalhadores foi citado como dificuldade para 35% das empresas.


Como alternativa para compensar a falta de qualificação, 78% das companhias ouvidas pela CNI disseram ter capacitação na própria empresa para os funcionários. Outras 40% disseram ter uma política de retenção do trabalhador e 33% utilizam capacitação fora da empresa.

Em quatro dos 26 setores pesquisados, as empresas disseram não ter mecanismos para compensar a falta de mão-de-obra. São eles: farmacêuticos, indústrias diversas (ambos com 17%), bebidas (20%) e calçados (21%).

“No Brasil, há uma demanda por profissionais qualificados. Começa-se a mudar uma estrutura de ensino, mas isso demanda tempo e um custo maior para capacitar”, disse Renato da Fonseca.
Setores


A indústria extrativa apresenta falta de trabalhador qualificado em 74% das empresas. O levantamento da CNI mostrou, ainda, que dos 26 setores da indústria de transformação considerado, 25 enfrentam dificuldades em encontrar trabalhadores qualificados.

De acordo com a CNI, o setor de vestuário é o principal afetado pela escassez de mão-de-obra qualificada. Para 84% das companhias do setor consultadas pela confederação, há dificuldades em encontrar trabalhadores qualificados para os postos. Em seguida, aparece o setor de outros equipamentos de transporte (83%). Os setores de limpeza e perfumaria (82%) e móveis (80%) também apresentarão alto índice de dificuldade.


Fonte:

Economia Empresas, de 04/04/11

Desarmamento terá consulta popular

A proposta de uma nova consulta popular sobre o desarmamento foi oficializada ontem pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), com apresentação de projeto determinando realização de plebiscito sobre o tema já no dia 2 de outubro deste ano. A pergunta a ser feita é: "O comércio de armas de fogo e munição deve ser proibido no Brasil?"

A ação tem como pano de fundo a tentativa de dar resposta à sociedade após o massacre na Escola Tasso da Silveira, no Rio, que matou 12 adolescentes. Para que a consulta popular seja realizada no prazo desejado, será preciso trâmite acelerado no Congresso. O projeto de decreto legislativo terá de passar pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado antes de ir ao plenário da Casa. Aprovada, a proposta vai para a Câmara, onde terá de passar por duas comissões antes de ir a plenário.

A lei que trata da convocação de plebiscitos e referendos define que cabe à Justiça Eleitoral fixar a data da consulta. Por isso, a proposta teria de ser aprovada a toque de caixa, visto que só para a convocação de mesários o Tribunal Superior Eleitoral precisa de pelo menos 60 dias.

Na realização do referendo de 2005, o custo foi de R$ 252 milhões, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Naquela ocasião, a campanha contra o desarmamento custou R$ 5,7 milhões, ante R$ 2,2 milhões da propaganda de quem defendia o fim do comércio. Quase a totalidade da campanha vitoriosa do "não" foi patrocinada por empresas de armamentos. A Taurus doou R$ 2,8 milhões e a Companhia Brasileira de Cartuchos (CBC), outros R$ 2,7 milhões.

O presidente do Senado acredita que a decisão da sociedade agora será diferente. "A sociedade muda. O que estamos vivendo hoje não é o que vivíamos há alguns anos. Precisamos repensar o que foi decidido." A ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, apoiou a proposta e afirmou que o desarmamento é um dos centros de atuação da presidente Dilma Rousseff.

As críticas, porém, não demoraram a aparecer, começando pelo presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS). "Já fizemos um referendo que demonstrou a opinião da sociedade e a opinião foi muito firme: mais de 60% dos cidadãos votaram pelo não." Já o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), classificou a discussão como "bobagem". "É para dar satisfação à sociedade. Eu sou a favor do desarmamento de bandido, mas como o governo não quer tomar providências usa essa questão da restrição das armas."

Outras propostas. Além do plebiscito, diversas propostas surgem como reação à tragédia do Rio. O presidente da CCJ do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), vai levar hoje à análise dos parlamentares um apanhado de projetos da área de segurança parados na comissão.

Outra ação foi do líder do PSDB, Duarte Nogueira (SP). Ele apresentou projeto para que todas as armas fabricadas no País tenham chip eletrônico com dados de segurança e identificação.


ApreensõesSó na capital paulista foram apreendidas, em média, 13 armas de fogo ilegais por dia no ano passado. Ao todo, foram 5.062 unidades: 55% revólveres e 23,8% pistolas.

GLOSSÁRIO



Referendo


Eleitores são chamados a se pronunciar sobre determinada decisão já tomada pelo Legislativo.

Plebiscito


É convocado antes da lei, mas tem caráter de consulta. Congresso não é obrigado a aprovar lei.

Fonte:

O Estado de S. Paulo, de 13/04/2011

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Opinião de Dora Kramer, jornalista:

Duas palavras para definir a proposta do presidente do Senado, José Sarney, de fazer uma nova consulta popular sobre a proibição de venda das armas: acintosamente oportunista.

O Senado não cuida de si, não cumpre as promessas de corrigir as deformações administrativas, não zela pela autonomia do Poder Legislativo, nem sequer controla o ponto dos funcionários, mas é ágil quando se trata de surfar na onda da comoção popular.

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É necessário valer as leis. O Assassino de Realengo comprou as armas ilegalmente. Que tal fecharmos as fronteiras para o comércio ilegal das armas e das drogas? As leis são severas, mas não são aplicadas devidamente. Precisamos é conter o comércio ilegal das armas. Outra consulta popular em menos de 6 anos não fará diferença, caso as autoridades não cumpram seu papel: fazer com que as leis sejam cumpridas doa a quem doer.

Luciana


12 de abr. de 2011

A tragédia de Realengo

O que se passa na mente de um desequilibrado como Wellington Menezes de Oliveira? Como defini-lo?  Psicopata? Sociopata? Esquizofrênico? Não. Assassino.

Ganhou seus 15 minutos de fama assassinando  cruelmente crianças na Escola Municipal Tasso da Silveira  onde estudou, em Realengo, no Rio de Janeiro. O bairro era conhecido nacionalmente devido à música de Gilberto Gil: "Alô, alô Realengo. Aquele abraço". E além da música, agora ficará na memória da população brasileira pela eternidade.

Não adianta perguntar o porquê. É impossível entrar na mente do assassino para saber sua motivação, mas houve premeditação e um planejamento minuncioso. Wellington foi minuncioso na expressão das últimas vontades, nos pedidos e recomendações que fez. A carta deixada por ele é clara: explica seus valores de referência, relativos à pureza do corpo e à sua purificação ritual para o sepultamento. O corpo continua no IML à espera de liberação por um parente. Há o aspecto hediondo da morte das crianças no estilo de execução: tiros certeiros na cabeça e no abdomên, principalmente nas meninas.

A tragédia dificilmente poderia ser evitada, uma vez que os tiroteios em escolas, haja vista os casos nos Estado Unidos, envolve pessoas que faziam parte da instituição. É um ataque de uma pessoa conhecida e não um invasor, e assim, muito mais difícil de se proteger. Enfim, é uma agressão que vem de dentro, por isso perigosa e imprevisível.

Segundo especialistas em tiroteios em massa, a maioria dos atiradores de escolas se vê como um fracassado socialmente, rejeitado e não aceito por um grupo. São potenciais suicidas, mas não querem somente se matar e ficar com o estigma de fracos, eles têm essa necessidade de chamar mais atenção e usam a violência para isso. Eles querem ser respeitados. São vistos como assustadores, dramáticos no ato da violência para espantar a pecha de perdedor, que é como ele foi visto a vida toda.

É impossível garantir que algo assim não acontecerá nunca mais. Para um assassino cumprir sua missão com maior número de vítimas, ele tem que ter acesso a um tipo de arma automática ou rapidamente recarregável, como aconteceu em Realengo. Também nota-se, por meio de outros casos de execução em massa, que quando o assassino decide causar tantas mortes, ele está determinado, como se fosse uma missão. Não sei se uma pessoa nesse estado é detida por obstáculos como leis de restrição ao porte de armas, mas dificultaria muito a compra delas.

Temos que tentar melhorar a experiência escolar dos adolescentes, diminuindo o bullying, a rejeição. Também se constuma culpar filmes e games violentos, porém a real influência desses vídeos na cabeça dos jovens é a forma como ali a violência representa a masculinidade, a glória do anti-herói e os países ocidentais glorificam e respeitam o homem violento, infelizmente. É a nossa cultura.

Ademais, as razões do que se passou em Realengo permanecerão incógnitas, mesmo tentando achar os culpados. O que nos resta é daqui para frente dar mais atenção às pessoas que têm alucinações ou fantasias destrutivas ou comportamentos preocupantes (ficar obssessivamente mergulhado na internet). Não há só um fator para a construção de um assassino, o comportamento que leva ao crime é evolucionário.



Luciana 






6 de abr. de 2011

Preconceitos em pauta 2

Um caso polêmico está agitando as semifinais da Superliga masculina de vôlei. Michael, jogador do Vôlei Futuro, afirma que foi alvo de homofobia durante a partida de sexta-feira diante do Sada/Cruzeiro em Contagem (MG). No confronto, a equipe da casa levou a melhor e saiu na frente na série melhor de três.

Michael, que é homossexual, disse que foi chamado de "bicha" pela maior parte dos torcedores presentes no ginásio, em coro. O árbitro não relatou o ocorrido na súmula, mas o Vôlei Futuro encaminhou um relatório ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) do vôlei e cobra providências.

"No jogo em Contagem eram cerca de duas mil pessoas, o ginásio estava super lotado e todos me chamando de 'bicha', 'gay' e outras ofensas. Me senti ofendido e constrangido pelo ocorrido. Não eram só alguns torcedores de torcida de futebol, eram crianças, mulheres, o ginásio inteiro gritando e me ofendendo.

O jogo foi transmitido pela TV e não só quem estava no ginásio pode ouvir, mas todos que assistiram ao jogo pela TV no Brasil inteiro, depois da partida as pessoas em Araçatuba e de diversos lugares vieram me perguntar o que tinha acontecido e se mostraram muito solidárias. Eu poderia ter jogado melhor se não tivesse passado por esse constrangimento e me senti julgado pelo lado pessoal e não pelo profissional que sou. Acho que este tipo de acontecimento não deve passar em branco, realmente me fez muito mal, acho que deve ser divulgado e discutido para que isso não ocorra com mais ninguém", declarou o atleta.

"Sou gay, mas isso não precisa ser comentado. Todo mundo aqui sabe", disse posteriormente, em entrevista ao Globoesporte.com.

Vôlei Futuro reclama. A equipe de Araçatuba divulgou uma nota repudiando a atitude da torcida e dos dirigentes adversários. "Tratando-se da torcida do Cruzeiro, esta atuou de maneira feroz e preconceituosa, mostrando ódio, aversão e discriminação a um dos atletas do Vôlei Futuro, deixando claro o manifesto de homofobia dentro do Ginásio. O coro era de forma organizada, crianças, homens e mulheres se juntaram para cometer o tremendo desrespeito e discriminação com o atleta Michael", destaca o Vôlei Futuro.

O time do interior paulista também reclama da superlotação do local. Diz que se deparou com um segurança "aparentemente alcoolizado", afirma que não havia ingressos para a sua torcida e denuncia que o policiamento local era inferior à necessidade de pessoas presentes.

"Na saída mais um caso de desrespeito, do Ginásio até o ônibus da equipe não havia segurança ou membro da organização da equipe adversária. Nossos atletas passaram pelos torcedores que se agrupavam para xingá-los e desrespeitá-los", ressalta o comunicado.

Reposta. O Cruzeiro refuta as acusações e ainda ataca o rival. "Suspeitamos que tais 'denúncias' sejam uma nítida manobra no sentido de intimidar a nossa equipe e nossa torcida no jogo da volta em Araçatuba, no próximo sábado", diz, em nota. A equipe mineira teme hostilidade contra seus jogadores no próximo confronto.

De acordo com a diretoria cruzeirense, o jogo foi normal e a torcida fez uma festa bonita, como sempre acontece na Superliga. "O Cruzeiro não incentiva e nem apoia atos considerados como preconceituosos. Ao contrário, sempre pede que todos sejam tratados com respeito. Após a partida, funcionários da equipe Sada/Cruzeiro viram vários atletas do Vôlei Futuro, como Leandro Vissotto, Mário Jr e Michael tirando fotos e dando autógrafos para os torcedores, em sua maioria crianças e mulheres, num clima comum a um jogo de vôlei. Nenhuma confusão."

Além disso, o time de Minas Gerais declara que todos os integrantes da delegação do Vôlei Futuro foram bem recebidos no ginásio.

Estadão on line, 05/04/2011

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Vamos cuidar da vida! E respeitar mais o próximo.
Cada vez mais está provado que o Brasil é uma nação que não respeita as diferenças.
Não adianta falar mal do deputado e cometer os mesmos erros.

5 de abr. de 2011

Toda revolução é uma revolução "sui generis"

Uma revolução se assemelha à morte de uma estrela agonizante, uma brilhante explosão em cores que dá origem não a uma galáxia nova, mas a uma nebulosa, uma nuvem disforme de energia instável. E, embora cada revolta seja diferente, nesta era incerta de levantes árabes e de intervenções do Ocidente, enquanto os mísseis americanos caem sobre a Líbia, enquanto o presidente do Iêmen vacila à beira da catástrofe e as tropas sírias disparam em manifestantes, a história da revolução ainda pode apresentar algumas indicações sobre o futuro.

O sociólogo alemão Max Weber apontou três razões para os cidadãos obedecerem a seus governantes: prestígio histórico, carisma do governante ou ordem e justiça. A primeira razão é particularmente importante porque no mundo árabe até as repúblicas tendem a ser dinásticas. Antes de ser deposto, o egípcio Hosni Mubarak preparava seu herdeiro. Antes de falecer, em 2000, Hafez Assad, ditador sírio, entregou o poder ao filho Bashar. O coronel Muamar Kadafi governou por muito tempo por meio de capangas herdeiros, cada qual desempenhando uma função diferente: um era o executor totalitário; outro, o liberalizante pró-Ocidente. Cada um competindo pela sucessão. Do mesmo modo, Ali Abdullah Saleh, do Iêmen, é protegido por forças especiais comandadas por filhos e netos.

Entretanto, "a vida de uma dinastia corresponde ao arco da vida de um indivíduo", escreveu Ibn Khaldun, historiador islâmico do século 14. Todas essas "monarquias" árabes tiveram como base o prestígio de uma religião, de uma personalidade ou de um vínculo hereditário. "O prestígio, no entanto, acaba inevitavelmente degenerando", escreveu Khaldun. As revoluções são desencadeadas por acontecimentos dramáticos:uma eleição fraudada no Irã, em 2009, ou uma autoimolação na Tunísia. Mas são também reflexo de depressões econômicas persistentes, sem mencionar as crescentes esperanças e a tentação de uma comparação: a internet mostrou que a juventude árabe compara os direitos mínimos que lhe são concedidos com os de seus contemporâneos ocidentais.

A diferença de culturas entre os encarquilhados faraós e os jovens obcecados pelo Twitter agravou a crise, que ainda poderá marcar o fim do antigo paradigma do governante árabe, o xeque sábio e poderoso. Está em perigo o ditador que é regularmente ridicularizado pelo jovens por seus cabelos tingidos de preto, em estilo gótico, com as maçãs do rosto inchadas por cirurgias plásticas e cuja entourage inclui tantas enfermeiras quantos generais.

Esses ditadores estão tão esclerosados que só percebem que há uma revolução quando ela desaba sobre suas cabeças. Em 1848, o príncipe Klemens von Metternich, chanceler da Áustria, estava tão velho que, literalmente, não ouvia as multidões do lado de fora de seu palácio. Quando as revoltas atuais eclodiram, imagino que Kadafi ou que o rei Hamad al-Khalifa, do Bahrein, tiveram uma conversa mais ou menos nos seguintes termos: "O que está havendo? Uma revolta?", questionou o rei francês Luís XVI, em 1789. "Não, majestade", respondeu seu braço direito. o duque de La Rochefoucauld-Liancourt. "É uma revolução."

Revoluções sem líderes, sem organização, se caracterizam por um impulso magicamente espontâneo que é mais difícil de esmagar. Lenin acabara de concluir que nunca haveria uma revolução enquanto ele vivesse quando, em fevereiro de 1917, as multidões famintas de São Petersburgo derrubaram o czar Nicolau II. O revolucionários estavam no exterior, exilados e ameaçados pela polícia secreta infiltrada entre eles.

Desta vez, a espontaneidade sem liderança teve a ajuda do Facebook, o que certamente acelera a mobilização das multidões e a transmissão da cultura ocidental, seja dos solilóquios de Charlie Sheen ou das alegrias da democracia americana. As maravilhas da tecnologia, no entanto, são exageradas: em 1848, a revolução que mais se parece com a atual, os levantes foram da Sicília a Paris, Berlim, Viena e Budapeste em poucas semanas, sem telefones e muito menos Twitter, graças ao vigor do impulso e ao rígido isolamento de governantes repressivos.

Voz das ruas. Uma vez que as massas ocupam as ruas, a capacidade de esmagar as revoluções depende da vontade e da capacidade do governante de derramar sangue. Quanto mais moderados são os regimes - como o do xá do Irã, em 1979, ou o de Mubarak no Egito -, mais facilmente serão derrubados.

Quanto mais brutal é a polícia, como a de Líbia, Iêmen ou Síria, mais difícil será derrubar o governo. O Irã reprimiu brutalmente sua oposição. Para Teerã, é fundamental não ser aliado dos EUA e banir a mídia internacional, porque é muito mais fácil massacrar o povo do país sem o controle do Departamento de Estado ou da CNN.

"Começos muito auspiciosos muitas vezes terminam de maneira vergonhosa, lamentável", afirmou Edmund Burke, observador da Revolução Francesa. Basta ver a Revolução dos Cedros, do Líbano contra a Síria, que terminou com a instalação de um governo dominado pelo Hezbollah e apoiado por Damasco.

O primeiro sucesso da revolução cria uma vertigem exuberante de liberdade democrática, como vimos no Cairo e em Benghazi. Na Europa, em 1848, e na Rússia, em 1917, houve primaveras igualmente arrebatadoras. Muitas vezes, surgem líderes temporários - como Alexander Kerenski, o empertigado primeiro-ministro russo que permaneceu no poder antes de os bolcheviques assumirem -, mas toda a revolução tem suas figuras que dão cobertura aos homens fortes. O aiatolá Khomeini nomeou Mehdi Bazargan, um democrata, para o cargo de primeiro-ministro, mas ele renunciou após a crise dos reféns.

A festa não dura muito. A desordem, a incerteza e as divergências de uma revolução fazem com que os cidadãos anseiem por uma autoridade estável, ou então adotem o radicalismo. Evidentemente, os extremistas aplaudem a deterioração. Lenin, o lacônico decano da faculdade de ciência da revolução, a condensou tudo em um slogan: "Quanto pior, melhor." A essa altura, as soluções extremas se tornam mais aceitáveis. "Como fazer uma revolução sem pelotões de fuzilamento?", questionou Lenin.

Nesse estágio, a liderança torna-se vital. Lenin conduziu pessoalmente o golpe bolchevique, em outubro de 1917. Khomeini foi decisivo na criação de uma teocracia xiita no Irã, em 1979, assim como Nelson Mandela garantiu uma transição pacífica na África do Sul. No entanto, não existem líderes opositores facilmente identificáveis na Líbia, no Iêmen ou na Síria - um cruel aparato de segurança dizimou os candidatos.

Em 1848, a primavera dos povos não sobreviveu à intervenção externa. O czar Nicolau I esmagou as revoluções no Império Austríaco, o que lhe granjeou o apelido de "Gendarme da Europa". A intervenção saudita contra os rebeldes xiitas no Bahrein sugere que os sauditas são os gendarmes do Golfo. No Iêmen, o presidente Saleh também pediu ajuda aos sauditas, que ainda não veio. Evidentemente, na Líbia ocorreu o inverso. O Ocidente apoia os rebeldes contra o massacre de Kadafi. Cada caso é diferente, cada revolução é um evento local. O que quer que aconteça daqui para frente no mundo árabe, não será um retrocesso.

Depois dos levantes de 1848, a incerteza deu origem a estranhos híbridos políticos, modernos e autoritários: Luís Napoleão Bonaparte, posteriormente imperador da França, e, mais tarde, nos anos 1860, Otto von Bismarck, chanceler da Prússia.

No complexo Egito, o resultado das revoluções árabes, provavelmente, será um híbrido semelhante, uma nova democracia, com os militares em um papel peculiar, no estilo da tutela turca. Na Líbia, pode ser simplesmente um retorno à rivalidade tribal. Atacada por aviões britânicos e americanos, a Líbia talvez domine as manchetes, mas é a Síria que decidirá o destino dos três mais importantes - Egito, Arábia Saudita e Irã. Afinal, como dizia Metternich, "quando Paris espirra, a Europa está com gripe". A Síria é o antigo coração árabe. O levante sírio poderá encorajar uma nova revolução no Irã, que enfrenta o desafio de explorar as revoltas que solapam os aliados americanos na região sem sucumbir à própria agitação interna.

Na Síria, a mudança também pode libertar o Líbano do Hezbollah. A queda do rei do Bahrein pode contagiar a monarquia saudita, assim como a derrubada do rei egípcio Farouk, por Gamal Nasser, em 1952, foi o fim da monarquia iraquiana anos mais tarde. Nunca devemos esquecer de que, por mais liberais que sejam essas revoluções do Facebook, as rivalidades entre xiitas e sunitas são muito mais fortes do que o Twitter e a democracia.

O que virá depois? É muito cedo para dizer. Devemos lembrar que, embora os entusiastas citem as revoluções de 1989 como estímulo para as revoluções de hoje, até que ponto as revoltas na Europa Oriental foram bem-sucedidas? A democracia floresceu no leste europeu, assim como na Georgia e nos países do Báltico, mas a maioria das ex-repúblicas soviéticas são ditaduras. Nenhuma doutrina pode ou deve se encaixar nesse novo caleidoscópio, no universo multifacetado que é o Oriente Médio. Devemos nos convencer de que será um jogo demorado, o grande torneio do século 21.

Devemos proteger vidas inocentes sempre que pudermos, com um poderio aéreo limitado, mas sem soldados pisando no solo.

Devemos analisar quais são os países que nos importam em termos estratégicos e, depois que a festa do Facebook acabar, descobrir quem está realmente controlando os eventos nos lugares que são importantes para nós.

Os julgamentos mais perfeitos são de estadistas que sabiam tanto reprimir quanto fazer revoluções. "A Velha Europa está no começo do fim", disse Metternich ao se ver cercado de revoltas, "A Nova Europa, porém, sequer começou a existir. Entre fim e começo, haverá o caos." Como bem resumiu Lenin, a questão fundamental de toda revolução é sempre é quem controla quem.

Por
Simon Sebag Montefiore, historiador britânico e autor de Stalin: a corte do czar vermelho (editora Companhia das Letras).

O Estado de S. Paulo, 31/03/11

* meus grifos.
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Opinião:

As redes sociais, a internet são meios e não o fim para causar as "revoluções". Além dos meios, é necessário querer mudar, a reflexão sobre os direitos mínimos dos cidadãos.

Infelizmente, ainda impera o medo nestas nações dominadas pelas dinastias. A dinastia da repreensão, do cala boca, da ameaça constante, do temor. Não só os países árabes, mas também, países como a Coreia do Norte, China, Cuba, que fazem com que a cultura do medo rejam a vida do povo destes países.

Luciana

31 de mar. de 2011

Preconceitos em pauta

O deputado Jair Bolsonaro (PP- RJ) causou muita polêmica ao declarar em entrevista ao CQC da Rede Bandeirantes que é “promiscuidade” a possibilidade de um filho seu ter relacionamento com uma mulher negra.

A Constituição Federal em seu artigo 5o, inciso IV: "é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato." 

Entretanto, no mesmo artigo, caput diz: "Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade."

E já o inciso XLII preconiza: "a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei."

No dia seguinte, depois que um grupo de deputados iniciou movimento pedindo sua punição, Bolsonaro voltou a fazer declarações polêmicas ao chegar para o velório do ex-vice-presidente José Alencar no Palácio do Planalto. Desta vez o alvo foi o preferido do parlamentar, o movimento gay:

“Estou me lixando para o movimento gay. O que eles têm para oferecer? Casamento gay? Adoção de filho por gay? Nada disso acrescenta nada”, disse Bolsonaro.

Primeiro, o movimento GLBT não quer que ninguém tenha mais direitos que outro cidadão. Apenas o que é comum e ninguém dá valor: pensão, herança, plano de saúde, direito à adoção, casamento civil. Isso não é apoiar ou não a causa, mas respeitar o homossexual como cidadão e pessoa, que também paga impostos.

Desta maneira, o "excelentíssimo" deputado tem o direito de se expressar, pois vivemos numa democracia. Ninguém está querendo cassar a palavra e a liberdade de expressão do deputado. Diga o que quiser, quando e como bem entender. No entanto, por uma questão de decoro, respeito à Constituição e ao próximo, só não deve fazê-lo da Câmara na posse de um mandato representativo.

Os políticos racistas, homofóbicos e preconceituosos só estão no poder, porque o povo os elegeu. Racismo de todos os gêneros e espécies é crime, tanto na esfera cível como na criminal. Da próxima vez, investiguem o passado do candidato, sua postura diante de assuntos polêmicos e, principalmente, diante da ética. Não é ser "politicamente correto", mas respeitar o próximo, mesmo que incomode.

Respeitar o próximo é se respeitar.

Luciana


30 de mar. de 2011

O papel da família e da escola na aprendizagem da leitura e da escrita

O papel da família é de suma importância para o desenvolvimento intelectual do aluno, pois é neste contexto, que o educando tem o primeiro contato com a leitura. Desta forma, é no ambiente familiar que o mesmo aprende sua primeira educação, deste modo, ele se relaciona com todo o conhecimento adquirido durante sua experiência de vida primária que vai refletir na sua vida escolar. Sendo assim, o sucesso do trabalho da escola depende da colaboração familiar ativa.

Segundo López (2002 p. 24): “A educação dos primeiros anos consiste precisamente na promoção de todos esses aspectos sociais e de autonomia pessoal que logo servirão de base para a educação intelectual mais estrita”.

Ou seja, a responsabilidade da educação Infantil depende, cada vez mais, da interação entre a escola e a família. Logo, ter diálogo de comunicação entre ambos, respeitar e acolher os saberes dos pais e ajudar-se mutuamente. Estes são alguns fatores que proporcionam e beneficiam a aprendizagem da criança que servirão de suporte para a educação escolar.

Além disso, a tarefa de ensinar e praticar a leitura não compete apenas à escola, pois o aluno aprende também através da família, dos amigos, das pessoas que ele considera significativas no seu cotidiano. A pergunta feita neste momento é: de quem é a responsabilidade de desenvolver o interesse da leitura no aluno?

Sabemos que existe a influência dos pais e professores. Em relação aos pais, estes devem ser “espelhos” para visão dos filhos, organizarem a biblioteca pessoal para eles, educando-os para o despertar pelo gosto da leitura, organizar o horário dos mesmos desde que reservem o tempo da leitura, resolver os trabalhos escolares junto com eles e acompanhar o desenvolvimento do aluno na escola.

Em relação aos professores, as responsabilidades também são muitas. Eles devem aproveitar a empolgação do aluno quando quiser ler apresentar livros que venham ao encontro das necessidades do mesmo, demonstrando o hábito de leitura para os educandos.

Desde cedo, os pais precisam transmitir aos filhos os seus valores, como, ética, cidadania, solidariedade, respeito ao próximo, enfim, pensamentos que o leve a ser um adulto flexível, que saiba resolver problemas, que esteja aberto ao diálogo. Que o educando, através do incentivo dos pais, passe valorizar a leitura e que a mesma possa fazer parte da sua vida cotidiana e para o seu desenvolvimento progressivo no campo do saber.

Portanto, uma criança com hábito de leitura, cresce bem preparada para enfrentar os desafios da vida, pois desenvolve grande capacidade de leitura e interpretação, além de possuir uma grande facilidade de descobrir o signicado de certas palavras, o que facilita suas produções textuais, sua oralidade e colocações em público.

Sendo assim, para desenvolver este hábito na criança é necessário proporcionar-lhe o contato com os livros. Neste caso, ouvir uma história lida pelo pai, mãe, avós, irmãos, etc; são algumas situações que enfatizam a presença de um leitor e que despertem o interesse pela leitura. Contudo, ressalta-se que o ideal seja começar desde a educação infantil, pois, quanto mais cedo mais fácil será a aceitação deste hábito.

López (2002. P. 83) confirma: “(...) a educação não depende de si mesma, mas em grande parte do papel que desempenha a família dentro e fora da escola”.

A vida familiar e escolar se completa, tornando-se necessária para o bem-estar do educando. A participação dos pais na educação dos filhos deve ser de forma constante e consciente, pois, a educação é um processo global, que se dá não só na família e na escola, mas em toda a sociedade.

Segundo a LDB - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional Lei nº 9.394 (1996) afirma que:
A educação dever da família e do estado inspirada nos princípios de liberdade e nos ideais de solidariedade humana, têm por finalidade o pleno desenvolvimento do educando, seu preparo para o exercício da cidadania e suas qualificações para o trabalho.

Diante desta afirmação, nota-se uma preocupação com a dimensão intelectual na educação, pois a escola deve empenhar-se na formação educacional de seus alunos, embora que não seja a única instituição social que participa dessa formação.

A família é responsável pelos primeiros passos da aprendizagem precoce do educando, proporcionando-o conhecimentos e experiências diante da sua realidade social, como forma de acesso para construção de novas aprendizagens no contexto social e escolar.

Assim, não precisa ser letrado para exemplificar a vida. Os melhores exemplos de integração escola/família estão entre as comunidades mais participativas, ainda que menos favorecidas economicamente, e não entre as mais educadas.

De acordo com esta realidade, López (2002. P. 80) relata: “Quando os pais se sentem especialmente chamados a participar, digamos, a preocupar-se com a escola? Quando surge uma situação que afeta diretamente seus filhos”.

É notório observar esta realidade na educação escolar atual, pois os pais que não têm tempo para nada acabam deixando a vida escolar do seu filho sob responsabilidade da escola.

Portanto, os verdadeiros pais são aqueles que se preocupam e dialogam com seus filhos.
Verificam o boletim escolar, participam das reuniões de pais e mestres, enfim, um simples bom dia ou boa tarde, é essencial para que o filho perceba a importância que seus pais possam proporcionar-lhe.






Fontes:


LÓPEZ, Jaume Sarramona I. Educação na família e na escola. Edições Loyola, São Paulo, 2002.

Interpretação de textos

Para analisar e interpretar textos é preciso saber ler.

Mas, como aprender a ler?

Lendo. Alguém que deseje aprender a nadar terá de, inevitavelmente, entrar na água. O mesmo ocorre com a formação de um leitor: se ele não se dedicar ao exercício da leitura, debruçando-se sobre poemas, notícias e crônicas de jornal, romances, ensaios etc., jamais aprenderá a ler.

Mas a verdadeira leitura pressupõe compreensão. Não basta passar os olhos sobre as palavras, mas é preciso entender o significado delas - ou, pelo menos, aproximar-se do que o autor pretende transmitir. E, depois, para realmente analisar o objeto da nossa leitura, devemos proceder à identificação das características, dos atributos, das propriedades do texto.

Textos denotativos - um ensaio, uma dissertação, uma notícia ou reportagem - são escritos em linguagem conceitual. Esse tipo de texto - racional, que se apoia em conceitos, leis, princípios ou normas - pede do leitor uma postura objetiva.

Já os textos conotativos - a poesia e os gêneros de ficção, incluindo algumas crônicas - exigem de nós uma postura subjetiva, pois são escritos em linguagem poética. Ou seja, são textos que exploram aquele conjunto de alterações ou de ampliações que uma palavra pode agregar ao seu sentido literal (ou denotativo). Os meios para se alcançar esse tipo de expressão envolvem as diversas figuras de linguagem, a criação de personagens e uma infinidade de associações entre os vocábulos, criando, muitas vezes, um mundo à parte.

Para esses dois tipos de textos podemos estabelecer algumas regras gerais de leitura:

1. Cada novo texto é, também, um novo universo. Para apreender o que o autor pretende transmitir, devemos estar abertos ao novo. Então, antes de iniciar a leitura, procure esquecer o que lhe disseram sobre o autor - as críticas e os elogios -, e aproxime-se do texto sem preconceitos;

2. Se for um texto curto - artigo, notícia, crônica, conto, etc. -, leia-o integralmente, procurando captar o seu sentido geral, e só depois, reiniciando a leitura, proceda assim:

a) procure, no dicionário, cada uma das palavras desconhecidas ou cujo sentido lhe pareça estranho, duvidoso;
b) sublinhe ou circule, em cada parágrafo, a frase que expressa a ideia central daquele trecho;
c) faça anotações nas margens do texto, mas de maneira que elas expressem o seu pensamento, as suas interrogações, as suas concordâncias ou discordâncias, relacionando o texto às suas vivências pessoais e a outras leituras que você, porventura, tenha feito.

3. Se o texto for longo - romance, ensaio, tese, peça de teatro etc. - siga os passos acima, mas desde o primeiro momento da leitura;

4. Não tenha preguiça. A leitura exige, muitas vezes, que voltemos ao início do texto ou do capítulo, que retrocedamos alguns parágrafos, a fim de retomar certa ideia ou rever o comportamento, a fala de uma personagem;

5. À medida que você decodifica as palavras, procure relacioná-las com o todo. Ou seja, compreenda as palavras dentro do contexto (o conjunto de frases, o encadeamento do discurso);

6. Enquanto lê, estabeleça um duplo diálogo: com o autor e com você mesmo;

7. Quando o texto usar a linguagem conceitual, não faça uma leitura tímida: imagine-se concordando e, também, discordando das ideias expostas. Coloque-se no papel de defensor e de opositor. Depois, forme seu próprio julgamento;

8. Quando o texto utilizar a linguagem poética, imagine a cena, coloque-se no lugar das personagens. Muitas vezes, poemas e textos de ficção tratam de realidades completamente diferentes da nossa, o que exige uma leitura sem preconceitos. Não tenha receio: entre os gregos, transforme-se em grego;

9. Não seja um leitor crédulo, não acredite com facilidade em tudo que lê. Num texto conceitual, seja implacável com a argumentação do autor: ele realmente convenceu você? Quais as partes frágeis do texto? Quais as qualidades? Aja da mesma forma em relação ao texto poético: o enredo convenceu você? A história é verossímil (transmite a impressão de verdade) ou imperfeita, defeituosa? O bom leitor nunca é ingênuo;

10. Numa prova, não se esqueça:

a) leia o texto com calma, duas ou três vezes;
b) a cada questão, retorne ao texto e esclareça suas dúvidas;
c) esteja atento ao enunciado da questão, pois, muitas vezes, ele exigirá que você leia não só o trecho citado, mas um ou mais parágrafos;
d) muitas vezes, a resposta correta não corresponde exatamente ao que está no texto, mas apenas se aproxima do sentido geral.

Fonte:
UOL Educação

28 de mar. de 2011

No dia mundial da água, entenda como ela é fundamental também no vestibular - Guia do Estudante

No dia mundial da água, entenda como ela é fundamental também no vestibular - Guia do Estudante

Usuários passam 41 horas por semana em redes sociais

Um estudo feito pela empresa E.life indica que os usuários brasileiros de redes sociais dedicam, em média, 41 horas por semana à internet.

Mostra, também, que 44,8% deles usam o celular para acesso à web. Este último número vem crescendo rapidamente. Um ano atrás, em outra pesquisa, só 34,4% das pessoas consultadas disseram que navegavam com o celular.
 
Segundo a E.life, o equipamento mais utilizado para a navegação ainda é o computador de mesa, citado por 82,2% das pessoas, sendo que, na pesquisa, essa pergunta admitia mais de uma resposta. Em segundo lugar, vem o notebook. Mas, sem citar números, a empresa diz que cresceu o número de acessos via netbooks, iPod Touch, consoles de jogos, tablets e televisores.

Segundo o levantamento, o principal interesse dos usuários no Twitter é a informação, com destaque para a busca de atualidades. Já no Facebook, no Orkut e no MSN, o cultivo dos laços sociais é que motiva o acesso.

Outro dado levantado na pesquisa é que 88,3% das pessoas pesquisam preços na web antes de comprar algum produto. Já 74,3% completam a compra pela internet.

A pesquisa da E.life foi feita com 945 usuários de redes sociais no Brasil, no período de novembro de 2010 a janeiro de 2011. Ela foi divulgada principalmente via Facebook e Twitter. Por isso, não reflete, necessariamente, o comportamento dos usuários de outras redes sociais, como o Orkut.

Fonte:
Info Exame, de 25/03/11