22 de set. de 2011

Palestina e a ONU, uma história de duplo discurso


A falta de uma solução para o conflito palestino-israelense, após 40 anos de ocupação, “continuará afetando a reputação da Organização das Nações Unidas (ONU) e despertando dúvidas sobre sua imparcialidade”, segundo palavras do ex-secretário-geral Kofi Annan. Nenhuma outra causa consumiu mais papelada na ONU quanto a dos palestinos. Contudo, centenas de resoluções sobre o assunto não foram respeitadas, muito menos aplicadas. Em nenhum lugar os ideais e mecanismos das Nações Unidas foram tão obstruídos como na Palestina. Os esforços para neutralizar a intervenção da ONU no conflito sempre foram liderados pelos Estados Unidos.
Entretanto, os da administração Barack Obama, esta semana, atuando em nome de Israel, alcançaram um novo nível. Washington vetou mais de 40 resoluções do Conselho de Segurança da ONU críticas às suas políticas, algumas das quais redigidas por seus próprios aliados europeus. Uma rápida olhada no Oriente Médio hoje deixa claro que essas obstruções conspiraram contra os interesses de todas as partes, e não trouxeram nem paz e nem segurança à região.
As rivalidades da Guerra Fria também contribuíram para a paralisia da ONU no conflito palestino-israelense: mais da metade das 690 resoluções adotadas pela Assembleia Geral entre 1947 e 1990 foram ignoradas. Então, por que a ONU se mantém afastada durante duas décadas do processo de paz? A simples resposta é que existe um duplo discurso. A ONU interveio diretamente para resolver todos os conflitos posteriores à Guerra Fria: Bósnia, Kosovo, Somália, Kuwait, Iraque, Afeganistão, Irã, Síria e agora Líbano e Sudão do Sul.
No entanto, não o faz no problema palestino. Este conflito derivou em um processo diplomático patrocinado por Washington, ainda que suas estreitas relações com Israel não o convertam em mediador imparcial. Não só o conflito palestino-israelense está afastado da ONU, como as resoluções mais críticas a Israel foram desconhecidas. Só depois de uma década de fracassos no processo de paz foi que o governo de George W. Bush (2001-2009) permitiu que a ONU participasse, como sócio menor, no chamado Quarteto, instância de mediação internacional que também incluía Rússia e União Europeia.
Enquanto isso, Israel ignora as dezenas de resoluções “exortando”, “instando” ou “recomendando” mudanças em suas políticas, ou diretamente “condenando” ou “censurando” seus ataques e a construção de colônias judias em territórios palestinos, bem como as deportações e a ocupação militar. Do mesmo modo, todos os chamados e demandas de intervenções políticas e humanitárias caíram em ouvidos surdos. A única vez que a ONU pôde atuar foi em 1997, quando enviou uns poucos observadores desarmados à cidade de Hebrón, os quais, lamentavelmente, foram proibidos de falar publicamente sobre as violações cometidas.
Nas últimas quatro décadas, Israel violou todas as resoluções relevantes do Conselho de Segurança da ONU, como a 465 e a 1980, que deploram todas as medidas desse país para mudar o caráter físico, a composição demográfica e a estrutura institucional da Palestina e de outros territórios árabes ocupados desde 1967, incluindo Jerusalém. Também rechaçou a 476, que reafirmava a necessidade de acabar com a ocupação israelense dos territórios árabes.
A única solução que foi aceita por Estados Unidos e Israel e que fez parte do processo diplomático, a 242, de 1967, também foi sistematicamente violada. Israel expandiu suas colônias, quando a resolução aponta a “instabilidade da aquisição de território pela força”. Paradoxalmente, o Estado de Israel foi criado por uma recomendação da ONU para a Participação da Palestina em 1947, e foi aceito como novo membro das Nações Unidas com base em seu compromisso de respeitar a resolução, e especificamente a 194 da Assembleia Geral sobre o regresso dos refugiados palestinos.
Agora que todos os meios foram provados e fracassaram, incluindo 18 anos de negociações bilaterais, o Conselho de Segurança deve assumir sua responsabilidade, exigindo que Israel cumpra suas obrigações de acordo com a Carta da ONU e reconheça o direito palestino à sua autodeterminação como Estado. Ponto.
* Marwan Bishara é analista político da rede de TV Al Jazeera, foi professor de relações internacionais na Universidade Norte-Americana de Paris, e é considerando uma autoridade em assuntos do Oriente Médio. Publicado sob acordo com Al Jazeera
(IPS)

19 de set. de 2011

A RODA BÉLICA DA HISTÓRIA, POR HOBSBAWM



1ª Guerra, o banho de sangue
O tempo histórico era outro, avalia Hobsbawm. O mundo ficara quase um século sem um grande conflito e o conceito de "paz" fez-se sinômico de "antes de 1914", ano em que Francisco Ferdinando, da Áustria, foi morto. Detonava-se o conflito que iria sangrar a Europa.
2ª Guerra, o mistério
O mundo sabia o que era uma guerra maciça, mas não uma guerra global. Eis a amarga contribuição da 2ª Guerra, conflito sem limites. Hobsbawm indaga: por que Hitler, esgotado na Rússia, declarou guerra aos EUA, permitindo que se associassem à Grã-Bretanha?
Guerra Fria, o absurdo
Como explicar 40 anos de tensão pela crença de que o planeta poderia explodir a qualquer momento e, contra a destruição total, só haveria a chance da dissuasão mútua? Para Hobsbawm, a Guerra Fria dos tempos de Kruchev carregou a inconclusão da Era da Catástrofe.
Guerra do Golfo, o lucro
Ao findar da Guerra Fria, lembra o historiador, a hegemonia econômica americana já estava abalada. E sua superioridade militar teve que ser financiada por apoiadores de Washington. Na guerra contra o Iraque, em 1991, a potência presidida por Bush pai realizou lucros. 

Trocando mitos por história

O ataque às torres gêmeas do World Trade Center, há exatos dez anos, num atentado que não só amputou a paisagem de Nova York, mas acima de tudo tirou a vida de milhares de pessoas, acordando o mundo para tensões inauditas, foi a mais completa experiência de uma catástrofe de que se tem notícia, afirma com convicção o historiador britânico Eric Hobsbawm, nesta entrevista exclusiva ao Aliás. "Porque foi vista em cada aparelho de TV, nos dois hemisférios", justifica em seguida. Mas, quando ele coloca a mesma catástrofe no plano maior da história das civilizações, daí faz com que afirmação superlativa submeta-se a outras associações de ideias, que nos convidam a pensar. E pensar muito.


Aos 94 anos, Eric John Ernest Hobsbawm mais uma vez dá provas de que o caminhar da humanidade se faz com passos que medem séculos e a melhor unidade da história, no seu jeito de ver o mundo, é a "era", e não os dias, os anos, nem mesmo as décadas. Aqui mesmo, nestas páginas, ele nos contará por que acha que já entramos na ‘era do declínio americano’, sem em nenhum momento subestimar o país que por muito tempo ainda exportará seu formidável "soft power" - o cinema, a música, a literatura, a moda, os estilos de vida, enfim, todo um aparato cultural.
Hobsbawm concedeu esta entrevista dias atrás, de regresso a Londres depois do descanso de verão. Respondeu por escrito ao conjunto de perguntas. Ao construir as respostas, vê-se como selecionou os exemplos que melhor ilustram seu raciocínio, sempre com invejável disposição intelectual. Ao final do questionário, e depois de revelar até os projetos que gostaria de desenvolver "se fosse mais jovem", terminou a entrevista com a seguinte afirmação: "Isso é tudo o que eu quero dizer".
Autor de A Era das Revoluções, A Era do Capital, A Era dos Impérios e a A Era dos Extremos, em que tece uma ‘breve história’ do século 20, questiona assimilações como a superioridade cultural do Ocidente, por vezes invólucro de uma arrogância histórica que hoje mal disfarça a incapacidade de entender, afinal de contas, o que vem a ser uma sociedade tribal ou um califado. Por outro lado, acha que a intensificação dos fluxos migratórios, levando incessantemente gente jovem de um canto a outro do planeta, embora gere muita xenofobia, gera também uma visão mais disseminada da diversidade do mundo. Visão que a geração de Hobsbawm, nascido em 1917 no Egito sob domínio inglês, numa família judia mais tarde perseguida pelo nazismo, definitivamente não teve.
Professor (emérito) da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, e da New School for Social Research, em Nova York, Hobsbawm só é capaz de compreender o historiador como um "observador participante", além de se autodefinir também como um "viajante de olhos abertos e jornalista ocasional". Chega a recomendar aos seus leitores que tentem tomar o que ele escreve "na base da confiança", porque embora pesquise incansavelmente, se dispensa das referências bibliográficas sem fim e das enfadonhas exibições de erudição. Por isso, seguramente, seu estilo é inconfundível.
Marx, ele descobriu na juventude. Ao fixar-se em Londres, logo alistou-se no Partido Comunista e, depois, no exército britânico, para combater Hitler. Evidentemente Hobsbawm foi cobrado pelo método marxista de análise que ainda hoje utiliza, especialmente quando muitos dos seus pares trataram de rever posições, a partir do desmoronamento do mundo soviético. Em sua autobiografia, Tempos Interessantes (lançada em 2002 pela Companhia das Letras, assim como outros títulos importantes do autor), ele próprio já tratava de acalmar os fustigadores: "A história poderá julgar minhas opiniões políticas - na verdade em grande parte já as julgou - e os leitores poderão julgar meus livros. O que busco é o entendimento da história, e não concordância, aprovação ou comiseração".
No livro Globalização, Democracia e Terrorismo, de 2007, o senhor passa para os leitores certo pessimismo ao lhes colocar uma perspectiva crucial e ao mesmo tempo desconfortante: 'Não sabemos para onde estamos indo', diz, referindo-se aos rumos mundiais. Olhando as últimas décadas pelo retrovisor da história esse sentimento parece ter se intensificado. Em que outros momentos a humanidade viveu períodos marcados por essa mesma sensação de falta de rumos?
Embora existam diferenças entre os países, e também entre as gerações, sobre a percepção do futuro - por exemplo, hoje há visões mais otimistas na China ou no Brasil do que em países da União Europeia e nos Estados Unidos -, ainda assim acredito que, ao pensar seriamente na situação mundial, muita gente experimente esse pessimismo ao qual você se refere. Porque de fato atravessamos um tempo de rápidas transformações e não sabemos para onde estamos indo, mas isso não constitui um elemento novo em tempos críticos. Tempos que nos remetem ao mundo em ruínas depois de 1914, ou mesmo a vários lugares daquela Europa entre duas grandes guerras ou na expectativa de uma terceira. Aqueles anos durante e após a 2ª Guerra foram catastróficos, ali ninguém poderia prever que formato o futuro teria ou mesmo se haveria algum futuro. Cruzamos também os anos da Guerra Fria, sempre assustadores pela possibilidade de uma guerra nuclear. E, mais recentemente, notamos a mesma sensação de desorientação ao vermos como os Estados Unidos mergulharam numa crise econômica que até parece ser o breakdown do capitalismo liberal.
Nações saíram empobrecidas, arruinadas mesmo, das guerras mundiais, mas é adequado pensar que havia naqueles escombros o desenho de um futuro?
Sim. Se de um lado o futuro nos era desconhecido e cada vez mais inesperado, havia por outro lado uma ideia mais nítida sobre as opções que se apresentavam. No entreguerras, a escolha principal de um modelo se dava entre o capitalismo reformado e o socialismo com forte planejamento econômico - supremacia de mercado sem controle era algo impensável. Havia ainda a opção entre uma democracia liberal, o fascismo ultranacionalista e o comunismo. Depois de 1945, o mundo claramente se dividiu numa zona de democracia liberal e bem-estar social a partir de um capitalismo reformado, sob a égide dos EUA, e uma zona sob orientação comunista. E havia também uma zona de emancipação de colônias, que era algo indefinido e preocupante. Mas veja que os países poderiam encontrar modelos de desenvolvimento importados do Ocidente, do Leste e até mesmo resultante da combinação dos dois. Hoje esses marcos sinalizadores desapareceram e os ‘pilotos’ que guiariam nossos destinos, também.
Como o senhor avalia o poder das imagens de destruição nos ataques do 11/9 a Nova York, tão repetidas nos últimos dias? Tornaram-se o símbolo de uma guinada histórica, apontando novas relações entre Ocidente e Oriente? Por que imagens do cenário de morte de Bin Laden surtiram menos impacto?
A queda das torres do World Trade Center foi certamente a mais abrangente experiência de catástrofe que se tem na história, inclusive por ter sido acompanhada em cada aparelho de televisão, nos dois hemisférios do planeta. Nunca houve algo assim. E sendo imagens tão dramáticas, não surpreende que ainda causem forte impressão e tenham se convertido em ícones. Agora, elas representam uma guinada histórica? Não tenho dúvida de que os Estados Unidos tratam o 11/9 dessa forma, como um turning point, mas não vejo as coisas desse modo. A não ser pelo fato de que o ataque deu ao governo americano a ocasião perfeita para o país demonstrar sua supremacia militar ao mundo. E com sucesso bastante discutível, diga-se. Já o retrato de Bin Laden morto (que não foi divulgado) talvez fosse uma imagem menos icônica para nós, mas poderia se converter num ícone para o mundo islâmico. Da maneira deles, porque não é costume nesse mundo dar tanta importância a imagens, diferentemente do que fazemos no Ocidente, com nossas camisetas estampando o rosto de Che Guevara.
Mas além da chance de demonstrar poderio militar, os Estados Unidos deram uma guinada na sua política externa a partir de 2001, ajustando o foco naquilo que George W. Bush batizou como ‘war on terror’. Outro encaminhamento seria possível?
Eu diria que a política externa americana, depois de 2001, foi parcialmente orientada para a guerra ao terror, e fundamentalmente orientada pela certeza de que o 11/9 trouxe para os EUA a primeira grande oportunidade, depois do colapso soviético, de estabelecer uma supremacia global, combinando poder político-econômico e poder militar. Criou-se a situação propícia para espalhar e reforçar bases militares americanas na Ásia central, ainda uma região muito ligada à Rússia. Sob esse aspecto, houve uma confluência de objetivos - combate-se o inimigo ampliando enormemente a presença militar americana. Mas, sob outro aspecto, esses objetivos conflitaram. A guerra no Iraque, que no fundo nada tinha a ver com a Al-Qaeda, consumiu atenção e uma enormidade de recursos dos EUA, e ainda permitiu à organização liderada por Bin Laden criar bases não só no Iraque, mas no Paquistão e extensões pelo Oriente Médio.
Os Estados Unidos lançaram-se nessa campanha sabendo o tamanho do inimigo?
O perigo do terrorismo islâmico ficou exagerado, a meu ver. Ele matou milhares de pessoas, é certo, mas o risco para a vida e a sobrevivência da humanidade que ele possa representar é muito menor do que o que se estima. Exemplo disso são as importantes mudanças que ocorreram neste ano no mundo árabe, mudanças que nada devem ao terrorismo islâmico. E não só: elas o deixaram à margem. Agora, o mais duradouro efeito da war on terror, aliás, uma expressão que os diplomatas americanos finalmente estão abandonando, terá sido permitir que os Estados Unidos revivessem a prática da tortura, bem como permitir que os cidadãos fossem alvo de vigilância oficial. Isso, claro, sem falar das medidas que fazem com que a vida das pessoas fique mais desconfortável, como ao viajar de avião.
Diante dos problemas econômicos que hoje afligem os Estados Unidos, ainda sem um horizonte de recuperação à vista, o senhor diria que seguimos em direção a um tempo de declínio da hegemonia americana? 
Nós de fato caminhamos em direção à Era do Declínio Americano. As guerras dos últimos dez anos demonstram como vem falhando a tentativa americana de consolidar sua solitária hegemonia mundial. Isso porque o mundo hoje é politicamente pluralista, e não monopolista. Junto com toda a região que alavancou a industrialização na passagem do século 19 para o século 20, hoje a América assiste à mudança do centro de gravidade econômica do Atlântico Norte para o Leste e o Sul. Enquanto o Ocidente vive sua maior crise desde os anos 30, a economia global ainda assim continua a crescer, empurrada pela China e também pelos outros Brics. Ainda assim, não devemos subestimar os Estados Unidos. Qualquer que venha a ser a configuração do mundo no futuro, eles ainda se manterão como um grande país e não apenas porque são a terceira população do planeta. Ainda vão desfrutar, por um bom tempo, da notável acumulação científica que conseguiram fazer, além de todo o soft power global representado por sua indústria cultural, seus filmes, sua música, etc.
Não só por desdobramentos político-militares do 11/9, mas também pela emergência de novos atores no mundo globalizado, criam-se situações bem desafiadoras. Por exemplo, o que o Ocidente sabe do Islã? E dos países árabes que hoje se levantam contra seus regimes? Qual é o grau de entendimento da China? Enfim, o Ocidente enfrenta dificuldades decorrentes de uma certa superioridade cultural ou arrogância histórica?
Ao longo de toda uma era de dominação, o Ocidente não só assumiu que seus triunfos são maiores do que os de qualquer outra civilização, e que suas conquistas são superiores, como também que não haveria outro caminho a seguir. Portanto, ao Ocidente restaria unicamente ser imitado. Quando aconteciam falhas nesse processo de imitação, isso só reforçava nosso senso de superioridade cultural e arrogância histórica. Assim, países consolidados em termos territoriais e políticos, monopolizando autoridade e poder, olharam de cima para baixo para países que aparentemente estavam falhando na busca de uma organização nas mesmas linhas. Países com instituições democráticas liberais também olharam de cima para baixo para países que não as tinham. Políticos do Ocidente passaram a pensar democracia como uma espécie de contabilidade de cidadãos em termos de maiorias e minorias, negando inclusive a essência histórica da democracia. E os colonizadores europeus também se acharam no direito de olhar populações locais de cima para baixo, subjugando-as ou até erradicando-as, mesmo quando viam que aqueles modos de vida originais eram muito mais adequados ao meio ambiente das colônias do que os modos de vida trazidos de fora. Tudo isso fez com que o Ocidente realmente desenvolvesse essa dificuldade de entender e apreciar avanços que não fossem os próprios.
Essa superioridade do Ocidente pode mudar com a emergência de uma potência como a China?
Mas mesmo a China, que no passado remoto era tida como uma civilização superior, foi subestimada por longo tempo. Só depois da 2ª Guerra é que seus avanços em ciência e tecnologia começaram a ser reconhecidos. E só recentemente historiadores têm levantado as extraordinárias contribuições chinesas até o século 19. Veja bem, ainda não sabemos em que medida a cultura, a língua e mesmo as práticas espirituais da Pérsia, hoje Irã, enfim, em que medida aquele fraco e frequentemente conquistado império influenciou uma grande parte da Ásia, do Império Otomano até as fronteiras da China. Sabemos? Temos grande dificuldade em compreender a natureza das sociedades nômades, bem como sua interação com sociedades agrícolas assentadas, e hoje a falta dessa compreensão torna quase impossível traduzir o que se passa em vastas áreas da África e da região do Saara, por exemplo, no Sudão e na Somália. A política internacional fica completamente perdida quando confrontada por sociedades que rejeitam qualquer tipo de estado territorial ou poder superior ao do clã ou da tribo, como no Afeganistão e nas terras altas do sudoeste asiático. Hoje achamos que já sabemos muito sobre o Islã, sem nem sequer nos darmos conta de que o radicalismo xiita dos aiatolás iranianos e o sonho de restauração do califado por grupos sunitas não são expressões de um Islã tradicional, mas adaptações modernistas, processadas o longo século 20, de uma religião prismática e adaptável.
Com todos esses exemplos de 'mundos' que se estranham, o senhor diria que a história corre o risco das distorções?
Apesar de todos esses exemplos, sou forçado a admitir que a arrogância histórica ocidental inevitavelmente se enfraquece, exceto em alguns países, entre eles os EUA, cujo senso de identidade coletiva ainda consiste na crença de sua própria superioridade. Nos últimos dez anos, a história tomou outro curso, muito afetada pelas imigrações internacionais que permitem a mulheres e homens de outras culturas virem para os "nossos" países. Dou um exemplo: hoje a informação municipal na região de Londres onde vivo está disponível não apenas em inglês, mas em albanês, chinês, somali e urdu. A questão preocupante é que, como reação a tudo isso, surge também uma xenofobia de caráter populista, que se propaga até nas camadas mais educadas da população. Mas, inegavelmente, numa cidade como Londres ou Nova York, onde a presença dos imigrantes de várias partes é forte, existe hoje um reconhecimento maior da diversidade do mundo do que se tinha no passado. Turistas que buscam destinos na Ásia, África ou até mesmo no Caribe costumam não entender a natureza das sociedades que cercam seus hotéis, mas jovens mulheres e homens que hoje viajam, a trabalho ou estudos, para esses lugares, já criam outra compreensão. Em resumo, apesar da expansão de xenofobia, há motivos para otimismo porque a compreensão abrangente do nosso tempo complexo requer mais do que conhecimento ou admiração por outras culturas. Requer conhecimento, estudo e, não menos importante, imaginação.
Imaginação?
Sim, porque essa compreensão abrangente é frequentemente dificultada pelo persistente hábito de políticos e generais passarem por cima do passado. O Afeganistão é um clamoroso exemplo do que estou dizendo. Temo que não seja o único.
Na sua opinião, estaríamos atravessando um momento regressivo da humanidade quando fundamentalismos religiosos impõem visões de mundo e modos de vida?
O que vem a ser um momento regressivo? Esta é a pergunta que faço. Não acredito que nossa civilização esteja encarando séculos de regressão como ocorreu na Europa Ocidental depois da queda do Império Romano. Por outro lado, devemos abandonar a antiga crença de que o progresso moral e político seja tão inevitável quanto o progresso científico, técnico e material. Essa crença tinha alguma base no século 19. Hoje o problema real que se coloca, o maior deles, é que o poder do progresso material e tecnocientífico, baseado em crescente e acelerado crescimento econômico, num sistema capitalista sem controle, gera uma crise global de meio ambiente que coloca a humanidade em risco. E, à falta de uma entidade internacional efetiva no plano da tomada de decisão, nem o conhecimento consolidado do que fazer, nem o desejo político de governos nacionais de fazer alguma coisa estão presentes. Esse vazio decisório e de ação pode, sim, levar o nosso século para um momento regressivo. E certamente isso tem a ver com aquele "sentido de desorientação" que discutimos no início da entrevista.
Apoiado na sua longa trajetória acadêmica, que conselhos o senhor daria aos jovens historiadores de hoje?
Hoje pesquisar e escrever a história são atividades fundamentais, e a missão mais importante dos historiadores é combater mitos ideológicos, boa parte deles de feitio nacionalista e religioso. Combater mitos para substituí-los justamente por história, com o apoio e o estímulo de muitos governos, inclusive. Se eu fosse jovem o suficiente, gostaria de participar de um excitante projeto interdisciplinar que recorresse à moderna arqueologia e às técnicas de DNA para compor uma história global do desenvolvimento humano, desde quando os primeiros Homo sapiens tenham aparecido na África oriental e como elas se espalharam pelo globo. Agora, se eu fosse um jovem historiador latino-americano, daí eu poderia ser tentado a investigar o impacto do meu continente sobre o resto do mundo. Isso, desde 1492, na era dos descobrimentos, passando pela contribuição material desse continente a tantos países, com metais preciosos, alimentos e remédios, até o efeito da América Latina sobre a cultura moderna e a compreensão do mundo, influenciando intelectuais como Montaigne, Humboldt, Darwin. E, evidentemente, eu pesquisaria a riqueza musical do continente, fosse eu um latino-americano. Isso é tudo o que eu quero dizer.


 

Fonte:


O Estado de S. Paulo

14 de set. de 2011

Ainda o exemplo da China


Em comparação com o Brasil, a China ainda apresenta fraquezas relativamente complexas. Por exemplo, seu mercado de trabalho caracteriza-se por um emprego em massa de trabalhadores, com baixa qualificação profissional, migrantes das áreas rurais. Nas crises de 1998 e 2008, foi esse mercado que sofreu o pior impacto da onda de choque causada por elas, o que pode ser verificado pelo fato de a queda do emprego ter sido bem maior do que a queda no crescimento do PIB.
Além disso, no processo de desenvolvimento chinês, seu grande mercado de mão-de-obra forneceu, por um lado, um suprimento adequado de força de trabalho e, também, uma alta taxa de poupança, esta resultante da política anterior de pleno emprego. Ambos contribuíram para o crescimento econômico e para um alto retorno do capital investido. Por outro lado, a massividade da força de trabalho tem impedido uma elevação mais rápida da produtividade.
Nessas condições, a economia chinesa tem evoluído principalmente por altas taxas de investimento, puxadas acima de tudo pela indústria de transformação, com o consumo contribuindo em escala menor. Essa situação mostrou-se vulnerável durante os processos de crise global, tornando o encorajamento do consumo doméstico dos produtos industriais chineses um problema de ordem estrutural, embora as exportações chinesas tenham contribuído de forma limitada para o crescimento da sua economia. Os dados dos dois primeiros trimestres de 2009 mostram que as exportações tiveram uma queda de 24%, enquanto o ritmo de crescimento econômico reduziu-se em apenas 0,4%.
O problema consiste em que as crises tiveram forte impacto sobre a força de trabalho, causando problemas sociais graves. A crise de 2008, por exemplo, aumentou rapidamente em 20 milhões o número de desempregados. Diante disso, a elevação da demanda doméstica, e a redução de sua dependência à demanda externa, tornou-se um problema estratégico para a economia chinesa.
O enfrentamento dessa questão estratégica ficou evidente durante a crise de 2008. Antes dela, o foco da política macroeconômica chinesa era a contenção da inflação. Ela estava toda voltada para reduzir os investimentos, no sentido de diminuir o ritmo de crescimento da economia e reduzir os índices inflacionários. A política monetária vinha se tornando cada vez mais apertada sobre o crescimento da moeda e sobre o crédito.
Com a eclosão da crise, a política macroeconômica mudou rapidamente para a manutenção do crescimento econômico e para evitar que seu ritmo caísse abaixo de 8%. Isso exigiu a flexibilização da política monetária, a adoção de uma política fiscal ativa e de uma política também ativa no mercado de trabalho, assim como o aproveitamento da crise como oportunidade para aprofundar as políticas de proteção social.
A flexibilização monetária consistiu em assegurar liquidez ao sistema bancário, de modo a assegurar nova elevação dos empréstimos produtivos. A política fiscal ativa foi corporificada num plano de estímulo massivo para impedir a queda no ritmo de crescimento. Cerca de 600 bilhões de dólares foram destinados às áreas consideradas estratégicas.
Mais de 200 bilhões de dólares foram direcionados para obras de infra-estrutura, como o programa de modernização ferroviária. Cerca de 150 bilhões de dólares foram destinados para a recuperação das áreas atingidas pelo terremoto de Sichuan, enquanto 60 bilhões foram empregados para a construção de moradias. O restante foi destinado à construção de infra-estrutura nas áreas rurais, redução das emissões de gases poluentes, proteção ambiental e desenvolvimento social. Em termos gerais, todos esses investimentos tiveram como foco principal a geração de empregos.
Paralelamente a isso, as políticas ativas no mercado de trabalho concentraram-se, principalmente, na forte redução das taxas e encargos sobre as micros, pequenas e médias empresas, nas quais se concentra a maior parte da força de trabalho chinesa. Ao lado disso, houve multiplicação de cursos de treinamento para os trabalhadores migrantes e para os novos graduados que não encontravam vagas de trabalho, incluindo suporte financeiro para que trabalhadores e graduados desempregados pudessem participar de tais cursos.
O aprofundamento das políticas de proteção social consistiu na adoção de regras mais firmes para conformar novos sistemas de pensão ou reforçar os antigos. O Sistema de Pensão Básica para os Trabalhadores Migrantes foi regulamentado, garantindo acesso aos serviços públicos nas cidades em que estiverem trabalhando, e exigindo o cumprimento estrito dos contratos de trabalho pelos empresários. O mesmo ocorreu com o Sistema de Pensão Básica dos trabalhadores e funcionários de empresas urbanas, que têm garantida a continuidade do sistema em caso de transferência para outras cidades e províncias.
O número de trabalhadores inscritos no Sistema de Seguro Desemprego foi aumentado para 124 milhões, enquanto o de beneficiários inscritos no Programa de Garantia Mínima de Vida (dibao) se elevou a 64 milhões, ambos em 2009. Ao mesmo tempo, os estudantes de famílias pobres passaram a ter isenção de pagamento de taxas de matrícula e de livros, além de subsídios complementares relacionados com moradia e alimentação.
Essas políticas ainda estão em curso, tendo em conta a continuidade da crise nos países desenvolvidos da Europa e nos Estados Unidos. Embora as fraquezas e as potencialidades do Brasil não sejam exatamente iguais às chinesas, tais políticas talvez sirvam, de algum modo, para nos ajudar a pensar melhor as medidas que o governo brasileiro está adotando para enfrentar a extensão da crise global.
* Wladimir Pomar é escritor e analista político.
** Publicado originalmente no site Correio da Cidadania.

11 de set. de 2011

Certezas em ruínas


Hoje faz dez anos que as torres do World Trade Center em Nova York caíram depois de atingidas por aviões sequestrados por terroristas suicidas sob comando de Osama Bin Laden. Há muitos dias a mídia do mundo inteiro vem falando do assunto, tentando um balanço do decênio como se o ataque tivesse determinado todos os eventos que se seguiram. O fato de Osama ter sido preso e morto no Paquistão há cinco meses impediu que neste aniversário alguns rabugentos apontassem o dedo para o governo americano e dissessem "Como o mundo está mais seguro, se Osama continua por aí?" - o mesmo Osama que George W. Bush disse que seria caçado não importa em que caverna e, à maneira dos cartazes de um faroeste texano, "vivo ou morto". Ao mesmo tempo, diversos atentados marcaram o período - Madri, Londres, Bali e o que levou à morte do brasileiro Sergio Vieira de Mello na sede da ONU em Bagdá - e outros foram descobertos pouco antes de causarem novos traumas em solo americano, até mesmo na Times Square. Isso sem falar nos bilhões de dólares e nos milhares de vidas desperdiçados em guerras.
Os falcões que dominavam a política externa durante o governo Bush II dizem que a ausência de outra agressão do mesmo porte a uma cidade americana mostra o acerto de suas reações ao terror. Mas a insegurança persiste, até porque seu discurso nunca foi nesse tom, e sim baseado em expressões como "Eixo do Mal". Eles também alegam que hoje o mundo árabe vive uma primavera libertadora, como se fosse efeito de sua política de invasões e sanções. Outros fatores, porém, parecem ter sido mais determinantes para o esgotamento das autocracias, como os mais de 40 anos de Kadafi no poder, o aumento da troca internacional de informações e - como não? - a retórica mais multilateral e pacifista de Barack Obama. Supor que apenas o combate ao terror serviu de "lição" para que o mundo islâmico se afastasse do fanatismo e do apoio a tiranias é, no mínimo, por conveniência, como notou o jornalista David Remnick. De qualquer modo, movimentos como o dos rebeldes da Líbia não foram previstos em 2001.
O que esses dez anos mais demonstram é justamente o erro das profecias, principalmente as mais apocalípticas, de ambos os lados. A própria eleição de Obama em 2004 - um presidente negro, jovem e democrata, livre de discursos polarizadores - não foi imaginada por ninguém na sequência dos atentados de 11/9, quando a ampla maioria da população deu apoio à vingança de Bush II. Lembrar o que foi dito e escrito naquele momento, por sinal, não é muito confortador. Se gente como Susan Sontag disse que os EUA colheram o que semearam e Stockhausen afirmou que aquele filme-catástrofe real era "a mais bela obra de arte jamais feita", outros falaram em "choque de civilizações" e em "cruzada" (Berlusconi) e houve discriminações contra imigrantes em vários locais. Pouquíssimos, como Obama, mantiveram o equilíbrio e viram diferença entre retaliar o Talebã e ocupar o Iraque. Uma espécie de retrocesso civilizatório era o mais aguardado para os anos seguintes; os atentados teriam dado início ao século 21 e este não parecia o mais promissor, com fundamentalistas do Ocidente e do Oriente entrando em rota de colisão crescente.
Quando se compara a primeira década do século com a anterior, no entanto, há outras mudanças que chamam atenção e raramente são notadas. Os protestos contra a tal globalização, por exemplo, perderam muita força, eles que eram tão comuns nos fóruns de Porto Alegre, Davos e outros endereços. O conceito de "globalização" como algo unilateral começou a cair por terra. Afinal, antes ela era atacada por trabalhadores do Primeiro Mundo indignados com a perda de empregos para o Terceiro Mundo, onde a mão de obra é bem mais barata, quando não semiescrava; e também pelos trabalhadores do Terceiro Mundo indignados com a expansão das corporações, que tirariam a soberania das nações e seriam nova modalidade de colonialismo. Tais certezas ruíram, e esta é uma boa notícia. Os países desenvolvidos estão em marcha lenta, vergados sob o peso das dívidas públicas, e o crescimento mundial depende de China, Índia e outros emergentes. Não foi o "neoliberalismo" que salvou o planeta com sua receita comum, mas a própria dinâmica de economias que deram mais espaço ao mercado de consumo sem necessariamente seguir a receita.
Na cultura, o 11 de setembro teve inúmeros subprodutos, desde referências em filmes de super-heróis (que voltaram com tudo, eles que quase sempre atuam em Nova York) até trabalhos de reportagem de alto nível, como os de Lawrence Wright, Jon Lee Anderson e Seymour Hersh, e diversos documentários em TV e cinema, passando por livros criativos como À Sombra das Torres Ausentes, de Art Spiegelman, e romances de autores como Don DeLillo, Ian McEwan e Joseph O"Neill. Num campo mais rasteiro, um dos temas mais comuns tem sido o da dita "decadência da América", já que o país mais rico do mundo tem enfrentado a desaceleração econômica, com aumento do desemprego, e movimentos reacionários como o Tea Party têm trazido outras pautas para o debate político. Mas, como escrevi recentemente, a cultura americana continua a ser consumida intensamente, graças também ao aumento dos meios de comunicação, e a internet ainda não fala chinês. Se existe algo que mudou o mundo nos últimos dez anos, é certamente essa tecnologia.
É um mundo pior ou melhor? A pergunta tem um aspecto infantil, uma necessidade de consolo sentimental. Osama atacou torres nas quais trabalhavam pessoas de mais de 90 países diferentes, e seu plano já existia quando Bill Clinton era presidente. Sua agenda tinha outra escala de tempo, ou seja, dizia respeito a séculos em que a maioria dos países islâmicos estagnou enquanto o Ocidente fez o Renascimento, o Iluminismo e a democracia moderna; mas também tinha objetivos mais imediatos, como incendiar as nações árabes contra Israel e o apoio dos EUA. Que ele não tenha conseguido e que muitos países do Norte da África e do Oriente Médio queiram mais liberdade política e um democrata sensato como Obama tenha chegado à Casa Branca, eis uma série de alívios. Mas a maioria das questões levantadas pelos escombros permanece não resolvida, como as fronteiras de Israel e a autonomia palestina, a rendição das classes políticas às gigantes multinacionais, a dependência de petróleo e outros combustíveis fósseis, o estilo de vida cada vez mais consumista, etc. Só que não precisávamos de Osama e seu terror para ver isso tudo. Dez anos depois, pelo menos a cegueira ideológica não saiu vitoriosa.
Por:

Daniel Piza - O Estado de S. Paulo (11/09/11)

9 de set. de 2011

Temas importantes! Revisão


União civil entre homossexuais

Casamento coletivo gay no Rio de Janeiro (Domingos Peixoto/Agência O Globo)
Em maio, em decisão inédita, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a união civil entre os homossexuais. A partir da decisão, casais formados por parceiros do mesmo sexo passaram a ter direitos como herança, pensão por morte ou separação e declaração compartilhada do Imposto de Renda (IR), entre outros. A conquista pode estimular temas de redação, exigindo que o aluno se posicione. Vale lembrar que também circularam pelo noticiário recente a lei que criminaliza a homofobia e o “kit gay” elaborado pelo Ministério da Educação (MEC).

Tragédia no Japão

Criança brinca em meio aos destroços da cidade de Ishinomaki, Japão (Yasuyoshi Chiba/AFP)
O terremoto de 9 graus na escala Richter seguido de um tsunami que devastou a costa nordeste do Japão, em março, provocou a mais grave crise nuclear desde o desastre de Chernobyl, há 25 anos, na extinta União Soviética. Por isso, na prova de ciências da natureza, questões sobre energia nuclear devem aparecer. Nesse tema, é importante ter em mente os prós e contras dessa matriz energética e seus impactos ambientais nos países onde é utilizada – inclusive no Brasil. É bom se preparar também para questões básicas sobre placas tectônicas e desastres naturais.

Censo demográfico

IBGE fez o mais completo levantamento já levado à frente no país (Marcelo Correa)
Entre as marcas registradas do Enem está a intepretação de gráficos e tabelas. Com sua diversidade de dados, o censo demográfico é um prato cheio para questões dessa natureza. Divulgado este ano pelo IBGE, o estudo mostra, por exemplo, que o Brasil ultrapassou a marca dos 190 milhões de habitantes e que um em cada dez habitantes ainda vive na pobreza extrema. Temas como urbanização e janela demográfica também podem motivar os examinadores


Ascensão da mulher no Brasil

Dilma Rousseff é a primeira mulher a assumir a presidência da república (Eliária Andrade/Agência O Globo)
Desde janeiro, o Brasil é presidido por uma mulher – fato inédito em nossa história. A conquista deDilma Rousseff pode ser vista como mote para abordar a ascensão da figura feminina na sociedade. Mais uma vez, tabelas e gráficos podem aparecer e o assunto pode ser, inclusive, tema de redação.


Aids

Ainda sem cura, o vírus da aids atinge cerca de 34 milhões de pessoas no mundo (Thinkstock)
Há 30 anos, os Estados Unidos registravam o primeiro caso de aids do mundo. Em pouco tempo, o mal desconhecido passou a ser um caso de saúde pública mundial. O número de infectados, que era de um milhão em 1981, saltou para 27,5 milhões em 2010. Na prova de ciências da natureza, o candidato pode ser questionado sobre as características do vírus ou formas de contágio. Na prova de ciências humanas, as políticas públicas brasileiras de combate à aids, reconhecidas internacionalmente, podem aparecer.



Fuso-horário no Acre

Plebiscito no Acre decidiu sobre fuso-horário (Thinkstock)
Em outubro de 2010, um referendo alterou o fuso-horário no estado do Acre. Apesar de ter passado despercebida para a maioria da população, a votação pode motivar questões tradicionais no Enem, como a de cálculo de fusos em diferentes regiões do Brasil.



Copa do Mundo e Olimpíada no Brasil

Apesar de pouco provável, os eventos esportivos sediados no Brasil em 2014 e 2016 podem motivar os examinadores. Caso apareçam, devem versar sobre os impactos das obras nos grandes centros urbanos brasileiros. O encalhe do projeto do trem-bala e as reformas urbanas no Rio de Janeiro, sede dos Jogos Olímpicos, merecem atenção.

Morte de Osama bin Laden

Paquistanês lê jornal com informações sobre a morte de Osama bin Laden (Arif Ali/AFP)
Depois de 3.519 dias, duas guerras e 1,18 trilhão de dólares em gastos militares, o homem mais procurado do planeta, mandante do maior atentado terrorista já executado no mundo, o 11 de Setembro, foi morto por forças americanas. A operação aconteceu nos arredores de Islamabad, capital do Paquistão, e levou milhares às ruas de Nova York e Washington. O episódio traz à tona discussões sobre o terrorismo como ferramenta política, além de suscitar discussões sobre a Guerra do Golfo. Como energia é tema prioritário no Enem, questões sobre o petróleo merecem atenção.

China

Bandeira chinesa é hasteada em cerimônia de entrega de medalhas nos Jogos Asiáticos (Jason Lee/Reuters)
Apesar de temas internacionais terem pouca relevância na prova do Enem, o acelerado crescimento chinês pode motivar questões. A abordagem deve evidenciar as parcerias com o Brasil e os impactos na nossa economia. Mais uma vez, gráficos, tabelas e textos de apoio podem aparecer.

Fonte: Revista Veja